Salvador Convention quer interiorizar eventos e capacitar agências para atrair turistas
Foto: Tiago Dias / Bahia Notícias
O Salvador Convention e Visitors Bureau tem definido estratégias para tentar atrair mais visitantes nacionais e internacionais à capital baiana e superar a crise atual. Em entrevista ao Bahia Notícias, o presidente do grupo e membro do Conselho Baiano de Turismo, Sérgio Gomes, explicou que os Conventions e Bureaus do estado têm trabalhado em áreas essenciais para o setor. Entre os objetivos estão fazer um cadastro nacional robusto de eventos, para rodar a economia dos agentes menores; recapacitar e capacitar os agentes; transferir tecnologia; reforçar a busca e interiorizar eventos nacionais e internacionais. A ideia do grupo é atrair ao menos 200 eventos e convenções importantes no ano para o país, impulsinando o turismo e gerando empregos. "O Brasil está em decadência como captador de eventos internacionais. Está derrapando há mais de uma década no fluxo de entrada de estrangeiros. A ideia do ministério é usar a rede dos Conventions e Bureaus nacional e internacionalmente para volta ao top 10. Hoje estamos em 11º e perdendo", lamentou. Gomes disse acreditar que Salvador poderia comportar até 3 centros de convenções. Entre as possibilidades estão o espaço do Parque de Exposições, que poderia alterar o eixo de turismo de convenção para a região da cidade; a renovação do equipamento atual, na região de Armação, dentro de análises técnicas; e um na região do Comércio. "Há um esforço de investimento muito grande por parte do governo estadual e federal em revitalizar os sítios históricos e o entorno, a chamada cidade antiga. Então eles já estão investindo centenas de milhões nesses espaços. Agora cabe à iniciativa privada dar uma dinamização, o que vai valorizar aquela região. As cidades balneáreas como Salvador, todas fazem centros de convenções próximos às baías. O lugar é lúdico, por si só ele se vende, e a capacidade hoteleira de Salvador está densamente localizada no entorno do Centro Antigo”, avaliou. Mas para o presidente do Salvador Convention, a falta do centro de convenções não é o único problema enfrentado pelo setor – nem, necessariamente, o mais importante. Como exemplo, Gomes citou empresas multinacionais como Decolar.com ou Trivago, que permitem consultas e contratação de hospedagem em todo o mundo. "Eles representam 25% da renda bruta do seguimento. Só perde para os 27% do imposto de renda. Os pequenos estão perdendo 25% do que ganham online. Então é bonito você apertar um botão, mas toda vez que você aperta uma empresa tranfere 25% do valor, que vai para empresas estrangeiras. Se você for fazer uma análise contábil, o dono de uma agência ou de um hotel não é dono de nada. Porque quando você tira a parte do governo e a parte dos sites, só sobra pra ele 48% para pagar salários, locação de imóveis e custeio em geral. Nós estamos transferindo dinheiro para o exterior", criticou. Segundo ele, os consumidores podem conseguir descontos maiores em hospedagem se, ao invés de utilizarem sites de buscas, negociarem diretamente com os hotéis. A redução do preço, de acordo com Gomes, pode chegar a até 10%.
