Contabilidade paralela indica repasses em espécie a Cabral, Adriana e ex-esposa
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Uma contabilidade paralela foi identificada durante as investigações do esquema investigado pela operação Calicute, liderado pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. De acordo com o procurador regional da República Rodrigo Timotéo, a contabilidade foi identificada em mensagens na caixa de e-mails de Carlos Miranda, um dos operadores do esquema. Os registros fazem indicam ao menos 45 repasses em espécie a três beneficiários: Cabral, a esposa Adriana Ancelmo e a ex-esposa do peemedebista, Susana Cabral. Os valores eram distribuídos por Luiz Carlos Bezerra. Ele fazia a entrega do dinheiro no escritório de Adriana, conforme relatos de uma ex-secretária da ex-primeira-dama e de também à Susana, fato também relatado por uma ex-funcionária. “A prova é robusta”, afirma o procurador. Além dos depoimentos, há registros da entrada de Bezerra. Até agora, foram comprovados repasses de ao menos R$ 1,5 milhão. Os registros permitiram relacionar também a lancha Manhattan, cujo valor é calculado em R$ 5,3 milhões, usada pela família de Cabral, ao ex-governador fluminense. A titularidade da embarcação é da MPG Participações, de Paulo Fernandes Magalhães Pinto, porém, foi feito um pagamento de valor muito próximo ao da lancha em 2014, quando, de acordo com provas testemunhais, a lancha passou a ser feita de forma praticamente exclusiva pelos familiares de Cabral. Além de "emprestar" o equipamento ao ex-governador, a MPG também fazia o custeio dos insumos, como combustível (são calculados R$ 30 mil para encher o tanque) e manutenção (R$ 1 milhão). Para os procuradores, a apuração indica que a titularidade da MPG servia para ocultação de patrimônio.
