'Só tem um ganhador com a judicialização: o fabricante', critica Rui Costa
Por Júlia Vigné / Guilherme Ferreira
Foto: Júlia Vigné / Bahia Notícias
O governador Rui Costa criticou a atuação de fabricantes de medicamentos durante a inauguração da Câmara de Conciliação de Saúde, na noite desta sexta-feira (25). Rui sugeriu que as empresas agem de maneira a forçar as pessoas a entrarem com processo judicial para conseguir remédios e dessa forma elas se beneficiam cobrando preços altos pelos produtos de saúde. "Só tem um ganhador com a judicialização: o fabricante. Porque muitas vezes eles não participam do processo licitatório, deixam faltar o fornecimento e a população é empurrada para judicializar. O Estado acaba comprando ao preço que eles querem fornecer porque tem um prazo de cumprimento da liminar, tem 72 horas. A não ser que o secretário corra o risco de ser preso, ele tem que comprar a qualquer preço que o fornecedor queira vender", esclareceu o governador. "Eles aumentam e muito a rentabilidade dos seus negócios às custas do sacrifício da população e do esforço adicional do judiciário", ressaltou. Rui lembrou que em um encontro entre governadores de diferentes estados com a presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, todos os gestores se queixaram de problemas na área de saúde, especialmente em relação à compra de medicamentos, de próteses e a realização de procedimentos médicos. Ele admitiu que existem problemas na organização dos estados e dos municípios que contribuem para a falta de medicamentos, mas que a Câmara de Saúde deve contribuir para resolver tal problema. "Vai ajudar tanto o estado quanto o município a se organizar melhor para não permitir a ausência desse ou daquele medicamento e não dê margem à justa judicialização", afirmou. O secretário municipal de Saúde, José Antônio Rodrigues Alves, também esteve presente na inauguração e mostrou otimismo em relação à Câmara. "Acho que essa união entre estado e município vai ser bastante profícua, em um lugar de fácil acesso e com uma dinâmica de horários, disciplinado e democrático, para que as pessoas tenham acessibilidade e a gente possa fazer justiça e construir uma cidadania mais digna", avaliou.
