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Estudante de História cria projeto para debate de temas sociais em escola estadual

Por Luana Ribeiro

Estudante de História cria projeto para debate de temas sociais em escola estadual
Foto: Reprodução / Facebook Hoje tem discussão
“Os muros da nossa escola não nos separam da sociedade lá fora”. A frase que abre o primeiro vídeo do projeto “Hoje tem discussão” (veja aqui) diz bastante sobre o objetivo de seu idealizador, o estudante de História Matheus Leite, 25 anos. Por meio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) da Ufba, Leite desenvolveu uma série de vídeos que pretende discutir problemas da realidade social de seus alunos – no caso dele, jovens entre 16 e 18 anos do Colégio Estadual Manoel Devoto, no Rio Vermelho. “No ano passado eu fiz um projeto piloto, um vídeo com alunos em que eles falaram sobre o tema 'Mulheres na sociedade'”, explica. Feito de forma experimental, as imagens tiveram uma repercussão além do esperado: nesta quarta-feira (26), já eram 11.039 visualizações, 240 compartilhamentos e 57 comentários. “No vídeo do ano passado, pais de alunos e alunas disseram que reconheceram eles nas ruas, elogiaram suas falas”, cita. Após o retorno positivo, Leite resolveu fazer uma trilogia. O tema foi escolhido pelos próprios estudantes das cinco turmas para qual ele leciona. “Daí de forma mais pensada fiz uma votação nas salas que dou aula e o tema que mais apareceu foi desigualdade racial”.
 

O estudante de História Matheus Leite, idealizador do projeto | Foto: Reprodução / Facebook

O primeiro dos três vídeos foi lançado nesta segunda-feira, com o subtema “representatividade”. Os alunos falam da ausência dos negros na mídia ou da forma como são apresentados – “Eu acho preconceituosa a forma como a mulher negra aparece na mídia. Quer colocar a mulher negra na mídia e coloca nua dançando?”, aponta uma das estudantes. Os próximos temas abordados serão “empoderamento crespo”, que será lançado no início de novembro, e “racismo”, que estará disponível no Dia da Consciência Negra (20 de novembro). “Essa realidade está muito presente na vida deles. Um deles contou que sobe no ônibus, vê mulheres escondendo celular. Outro fala que tem gente que acha que falar de racismo é vitimismo. ‘Mas o que é um branco na fila de um banco e falar assim: o que é que você está fazendo aqui, neguinho?’”, cita Leite, que disse não ter vivido situações tão explícitas de racismo como seus alunos. O professor em formação aponta também que a participação dos estudantes, que são o fio condutor dos vídeos, e aparecem falando diretamente para a câmera, já causa transformações. “Eles se veem como protagonista quando olham na televisão, dão risada”, comenta. “Um deles diz: ‘Olho para TV não vejo ninguém igual a mim’. Então se ver na televisão tem o poder de ressignificação gigantesco”, completa. Além de “dar voz” a seus pupilos, Leite quer transformar a série (que ele mesmo dirige, filma e edita) em uma ferramenta na sala de aula. “Esse material produzido tem a intenção de servir de instrumento pedagógico. Outros professores que quiserem usar, podem entrar em contato comigo”, avisa. Duas professoras, uma do interior e uma da capital, já pediram autorização para usar o vídeo. Veja abaixo o primeiro episódio da trilogia: