Presidente do STF, Cármen Lúcia diz que 'celeridade' da Lava Jato é 'exemplo'
Foto: Nelson Jr. / SCO / STF
A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, elogiou a "celeridade" da Operação Lava Jato e estimulou que a investigação fosse um exemplo a ser seguido. A declaração foi feita no programa Roda Viva, na TV Cultura, na noite desta segunda-feira (17), e contraria o posicionamento do ministro Teori Zavascki sobre o mesmo assunto. O relator da operação no STF criticou o "espetáculo midiático" ao se referir à acusação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de autoria de procuradores da República. "São coisas diferentes. A celeridade é um ótimo exemplo e que deve ser seguido. E não é só nessa operação. Esta operação grande, chamada Lava Jato, tem algo simbólico que é, primeiro, pela gravidade do que se vem apurando; segundo, porque, como um juiz e um grupo de procuradores e da Polícia Federal para ajudar nas investigações, houve uma formatação que fizesse com que [as decisões] pudessem ter celeridade, o que é positivo", disse a ministra. De acordo com o G1, Cármen Lúcia ponderou, no entanto, que não se trata de espetacularização, mas de mostrar ao povo o que está sendo descoberto e não pode ser aceito. Questionada sobre a postura dos procuradores diante da denúncia contra Lula, a presidente do Supremo criticou a forma adotada pelo Ministério Público Federal (MPF) . "Pode haver outras formas de se mostrar. O que não pode é deixar de ser mostrado", avaliou. A ministra também falou sobre as propostas do MP contra a corrupção, "muito boas", mas com ressalvas acerca da constitucionalidade de provas ilícitas; sobre a mudança na lei que trata do abuso de autoridade, cuja legitimidade da mudança neste momento foi questionada; e o foro privilegiado, para o qual a ministra defende uma mudança de pensamento, saindo da "prerrogativa no sentido de um dever" para "um privilégio". Cármen Lúcia ainda disse que e preciso dar conduzir processos no Judiciário com celeridade e que espera o julgamento em plenário para analisar a decisão de manter a elegibilidade da ex-presidente Dilma. Sobre a preferência em ser chamada de "presidente" ao invés de "presidenta", a ministra explicou que o titular não altera o nome do cargo descrito na lei. "A presidente Dilma optou por isso, de ser chamada de presidente, porque, acho, era uma marca de uma sociedade tão preconceituosa contra nós mulheres que [Dilma queria] demarcar espaço, de que uma mulher é capaz de chegar a um cargo como este", concluiu.
