Arquitetos criticam PDDU e Louos 'sem base técnica' e com 'trágicos reflexos'
Por Guilherme Ferreira
Foto: Valdemiro Lopes
Três órgãos que representam o setor arquitetônico na Bahia divulgaram comunicado criticando duramente a aprovação do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) e da Lei de Ordenamento de Uso e Ocupação do Solo (Louos), sancionadas pelo prefeito ACM Neto nos últimos três meses. O Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Bahia, o Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento da Bahia e o Sindicato dos Arquitetos do Estado da Bahia declararam em nota que as leis não possuem base técnica e não vão contribuir na redução da desigualdade social. "O Plano Diretor não oferece os subsídios essenciais para a Louos, não contribuindo para superar a situação alarmante de desigualdade dos direitos sociais de cidade no município, nem para reduzir a pobreza e a precariedade do uso e ocupação do solo", alerta o texto. Um dos pontos que gera mais reclamações é a questão da verticalização da cidade. As entidades pontuam que o aumento do gabarito para construção de prédios vai provocar barreiras para a ventilação natural existente. Além disso, o sombreamento permitido antes de 9h e depois de 15h impede os frequentadores de tomar banho de sol na faixa de horário recomendada pela medicina. "O modelo de ocupação proposto pela Louos, para a Orla atlântica de Salvador, consequentemente, elitiza a vista para o mar para os poucos da primeira quadra", diz a nota. O texto aponta que a verticalização em outras áreas da cidade não faz distinção entre diferentes características topográficas de Salvador. "Assim a nova Louos vai provocar uma desurbanização generalizada das paisagens caraterísticas da cidade", diz o texto. Os órgãos arquitetônicos também reclamam da possibilidade de "pulverização de comércio em qualquer área" e criticaram a forma como a cidade está sendo preparada para os próximos anos. "A Louos está ofertando capacidade de adensamento totalmente fora da realidade, permitindo que a cidade duplique sua população, apesar da taxa de crescimento populacional ser, atualmente, de 1,8% ao ano, portanto sem crescimento real", afirma. Eles ainda apontam que tanto o PDDU como a Louos não preveem futuras demandas no tráfego de veículos. "Optou-se por não definir no PDDU uma rede de eixos de media e alta capacidade de transporte coletivo, não estruturando a cidade em função de uma visão de futuro", diz o comunicado.
