Mulher relata agressões contra participantes de parada LGBT e critica médicos do HGE
Por Guilherme Ferreira
Foto: Mateus Pereira/GOVBA
Uma terapeuta que esteve no Hospital Geral do Estado (HGE) na noite do último domingo (11) criticou duramente o atendimento prestado a pessoas agredidas depois de participarem da parada LGBT. A mulher, que prefere não se identificar, entende que houve preconceito e descaso por parte dos médicos e por isso os cuidados com os pacientes não foram bons. Ela foi à unidade de saúde por volta de 21h30 em razão de um acidente doméstico e estima que 14 pessoas que estavam na parada LGBT foram agredidas em situações separadas. "Se até as 23h45 já tinha esse tanto, imagina de madrugada. Fora que tem muitos outros hospitais em salvador. É muito triste você ver um ser humano ser tratado daquele jeito só pela opção sexual", disse a terapeuta, que tem um filho homossexual. Ela afirma que percebeu o descaso dos médicos com os pacientes ao notar o "jeito de tratar, a distância e o descaso. Só presenciando para entender", relatou. A terapeuta ainda lembra que se revoltou contra o atendimento do HGE e gritou dentro da unidade médica cobrando mais cuidados. "Eu não queria que acontecesse isso com meu filho", disse. A terapeuta ainda assinou um documento se responsabilizando por um dos pacientes, o único que não estava acompanhado. "Queriam colocar na área de indigente. Eu tenho filho que é homossexual e me sensibilizei. Tinham outras vítimas, mas todas com amigos", declarou. A família dele o encontrou no HGE nesta segunda-feira (12) e entrou em contato com a terapeuta por telefone. "Não entraram em detalhes, disseram que ele [o paciente] estava bem", disse. Ela ainda afirmou que vai entrar em contato com a família em outras oportunidades para visitar o rapaz agredido. Ela descreve que o jovem pelo qual ela se responsabilizou havia levado pancadas na cabeça. Além disso, outros pacientes haviam sofrido graves agressões, causando, por exemplo, perda de dentes. Para o ano que vem, a terapeuta planeja registrar com câmeras o que ela viu com os próprios olhos no domingo. A mulher planeja fazer imagens das vítimas agredidas depois de participarem da parada LGBT para denunciar o mau atendimento e os casos de homofobia. "Ano que vem estarei preparada", garante.
