Nos encaminhamentos, senadores defendem posições e fazem menção à história
Foto: Agencia Senado
Chegada a fase dos encaminhamentos, os deputados contrários e favoráveis ao impeachment da presidente Dilma Rousseff defenderam posições. A senadora Ana Amélia (PP-RS), em defesa do impedimento, afirmou que a lição deixada pelo processo é de que “o sistema político precisa ser mudado”. Para a congressista, “o Brasil sai aliviado desse processo”. “Um fio de esperança. Nasce a nova esperança, o novo Brasil”. Também a favor da cassação da petista, Ronaldo Caiado (DEM-GO) classificou o julgamento como um “momento de assepsia”. Assim como a Ana Amélia, destacou uma lição do processo, que seria, para qualquer político, “respeitar o orçamento, não trata-lo como peça de ficção” e não avançar sobre ele para assumir compromissos, fazer “demagogia”. O democrata definiu o governo como de caráter “bolivariano” e apontou “milhões de desempregados” deixados pela gestão Dilma. Em menção ao senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que repetiu o “Canalhas! Canalhas! Canalhas!” de Tancredo Neves, afirmou que os verdadeiros canalhas seriam os que assaltaram a Petrobras, enriqueceram ilicitamente e desviaram verba pública para eleições municipais, estaduais e federais. Lindbergh Farias, além da menção a Tancredo Neves, fez um apelo aos senadores “Não pense pequeno, não pense nos cargos que Temer está oferecendo, pense na história”, disse, citando a situação do ex-presidente João Goulart, que sofreu o golpe militar em 1964. “Nunca esqueceremos essa data. Uma nova geração de brasileiros vai lutar para anular essa sessão”, declarou, acrescentando que os senadores que votassem a favor do impeachment “vão para a lata do lixo da história como partícipes de um golpe”. Para Lindbergh, eles estão, neste momento, “entre a infâmia e o golpe”. “Nós vamos dormir tranquilos, porque estamos do lado certo da história”, disse, em menção aos votantes contra o impedimento. Vanessa Graziottin (PCdoB-AM) afirmou que estava com a “emoção à flor da pele”, após ter lutado no Senado “durante meses”. Ela avaliou que o processo se iniciou no ano de 2014, “exatamente no dia do resultado das eleições”. “Isso não é um impeachment, isso não é um golpe”, defendeu, afirmando na sequência que o presidente interino, Michel Temer, não tem legitimidade.
