Muniz diz que impeachment deixa Executivo 'de cócoras' perante o Legislativo
Por Estela Marques
Foto: Reprodução / TV Senado
O senador Roberto Muniz (PP-BA) criticou o julgamento da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) pelos atos apontados apontados no processo. O pepista lembrou, assim como o senador Otto Alencar (PSD-BA), que constantemente governadores e prefeitos abrem créditos suplementares sem a autorização legislativa e dos Tribunais de Contas (lembre aqui). "Esses julgamentos sempre foram pela rejeição ou aprovação das contas públicas, podendo a pena máxima chegar à perda, pelo gestor, dos seus direitos políticos futuros. Nunca o mandato em curso. Aqui estamos construindo um grave precedente", apontou Muniz. O suplente do senador Walter Pinheiro (sem partido-BA), licenciado para assumir a Secretaria de Educação da Bahia, acredita que a aprovação do impeachment causará insegurança jurídica no orçamento da União, dos Estados e dos Municípios, que poderão ter seus mandatos colocados em risco conforme a "interpretação de leis com efeito retroativo". Muniz chegou a dizer que o afastamento definitivo de Dilma Rousseff poderá colocar "de cócoras" o Poder Executivo perante o Poder Legislativo. Contrário ao impeachment, considerando que o Senado está julgando a presidente por um ato de gerente, Muniz atribuiu à história o poder de julgar o que está acontecendo: quem nasceu primeiro, o crime ou a vontade do impeachment. "Caso o impeachment seja negado, vale para presidente Dilma e sua base ouvir a motivação daqueles que desejaram o impedimento. Por outro lado, caso seja estabelecido, os líderes que patrocinaram esse caminho não podem se assentar na vitória ou motivações do próprio impedimento. Necessita olhar para os efeitos colaterais produzidos", concluiu. Veja o discurso completo do senador.
