Último inscrito em sessão do impeachment, Muniz questionará sobre 'intenção' de Dilma
Por Fernando Duarte, de Brasília / Rebeca Menezes
Foto: Fernando Duarte / Bahia Notícias
O senador Roberto Muniz (PP) é, até o momento, o último inscrito para questionar a presidente afastada Dilma Rousseff (PT) durante o julgamento do processo de impeachment. Ao deixar o plenário na noite desta segunda-feira (29), o parlamentar explicou que a sessão tem transcorrido com mais tranquilidade do que o que era esperado. "Eu acho que havia a expectativa de um clima bem beligerante, de muita briga. Foi assim que começaram os trabalhos. Eu acho que o clima está muito bom, o debate está fluindo, também graças à capacidade que o ministro Ricardo Lewandowski [presidente do STF] tem de fazer com que o ambiente não fique muito tenso. Acho também que foi muito acertado o direito de dar a ela o direito de resposta sem direito a réplica e a tréplica, porque isso poderia afetar a qualidade das intervenções", avaliou. Muniz defendeu que Dilma tem conseguido qualificar o debate na Casa durante suas respostas, elucidando tanto governistas quanto oposicionistas "na medida do possível". " É claro que pode ser que ela não esteja conseguindo mudar o voto de quem já está com seu pensamento construído, com suas convicções consolidadas, mas fica também o registro para que na história se possa saber o que realmente está acontecendo aqui. Porque mesmo que a palavra impeachment tenha um cunho mais largo, o processo é de fatos ligados à gestão pública. É um processo estreito em sua ótica de análise. Então acho que ela tem conseguido construir um raciocínio em que pode estar esclarecendo esses pontos e também construindo a ideia de que ela está aqui em respeito ao processo e ao estado de direito brasileiro", afirmou. Questionado sobre a pergunta que fará à presidente, o senador baiano, ele defende que será uma intervenção "elucidativa". "Quero perceber nela a intenção. Porque aqui a gente está trabalhando muito como um crime, nós somos juízes. E todo mundo tem que entender que, em um crime, a intenção é importante. Eu espero poder contribuir para que ela elucide a intenção do ato dela", justificou.
