Frete mais caro para livros afetará editoras baianas
Por Rebeca Menezes
Foto: Correio
A decisão dos Correios de alterar o processo de postagem de livros afetará editoras baianas e fará com que o preço do frete aumente em pelo menos 40%. Os Correios enviaram um documento para as empresas que utilizavam o recurso de mala direta, que possui preço mais baixo e independente do trecho percorrido, para informar sobre a alteração. A proibição deve acontecer depois que a empresa decidiu alterar os contratos comerciais, que permitiam o uso de mala direta para o despacho de livros, e definir que a opção seja utilizada apenas para periódicos (entenda aqui). De acordo com o sócio da editora baiana JusPodivm, Ricardo Didier, a mudança vai afetar tanto as empresas quanto os leitores. Ao Bahia Notícias, Didier explicou que a companhia utilizava a modalidade de despacho desde 2004, quando foi fundada, e que a opção permitia o oferecimento de frete grátis para os consumidores. “Só esse ano a gente já mandou quase 200 mil malas diretas. Mas os Correios, simplesmente, mandaram uma carta no dia 15 de agosto para as editoras falando da mudança. A carta tinha um tom de surpresa, como se tivessem percebido só agora, 13 anos depois, que mandávamos os livros por mala direta”, detalhou. Segundo o empresário, há um problema com o tempo permitido para a troca: o novo valor já valerá a partir de 1º de setembro. Além disso, a própria alternativa dada pelos Correios não permitiria o envio dos livros comprados. “Só deram 15 dias para a gente se adaptar. E eles sugeriram que a gente use a opção ‘impresso’, cuja tabela é 40% mais cara e tem o limite máximo de 500 gramas. Cerca de 95% do que a gente manda está acima desse peso. Eles propuseram uma coisa que para a empresa só viabiliza o despacho de 5% do que a gente produz”, criticou. Como a JusPodivm só poderá alterar os preços cobrados a partir do ano que vem, Didier estima que a mudança gerará um prejuízo de R$ 200 mil em 2016. Além disso, apenas o encarecimento do despacho deve tornar os livros cerca de 15% mais caros. E as mais prejudicadas, segundo o empresário, serão as pequenas editoras. “Estimamos gastos a mais no ano que vem, apenas com os Correios, de R$ 1 milhão só por causa dessa mudança. Poucas editoras vendem direto pro cliente final, as grandes redes que vendem livros não usam esse sistema, usam a iniciativa privada. Isso vai afetar os pequenos livreiros, que fazem isso para concorrer com as grandes redes. Perdemos a vantagem”, lamentou.
