Mantega teria intermediado propina com Odebrecht; Braskem pagou mais de R$ 400 mi
Foto: Valter Campanato / Agência Brasil
Os executivos da Odebrecht informaram em proposta de delação premiada que a empresa pagou ao menos R$ 100 milhões em propina ao PT, com intermediação do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Segundo informações do jornal O Globo, os pagamentos foram realizados pelo setor de Operações Estruturadas do grupo – o Ministério Público Federal chama o departamento de “escritório de lavagem e pagamento de propina”. Somente a Braskem teria custeado entre R$ 450 milhões e R$ 550 milhões para o setor no período em que o escritório funcionou, que funcionava no 16º andar da sede da Odebrecht em São Paulo, comandada pelo diretor Hilberto Silva. Os valores foram apontados em levantamento prévio feito pela empresa. Os repasses, afirmam os executivos, eram feitos em troca de benefícios obtidos pela holding nos últimos anos, como desoneração da folha de pagamentos e redução de imposto de renda sobre o lucro de empresas brasileiras no exterior. Há indícios em e-mails que já estavam com os investigadores da Lava-Jato de que a Odebrecht atuava fortemente junto ao governo pela aprovação de medidas que vieram a favorecer os negócios da companhia, principalmente junto a Guido Mantega. Em relação à Medida Provisória 647/2013, convertida em lei em maio de 2014, Marcelo Odebrecht encaminhou a um dos assessores de Mantega, Sérgio Eugênio de Risios Bath, em março daquele ano, as observações da empresa sobre o projeto. O texto tratava das regras para redução da alíquota do imposto de renda sobre lucros de empresas brasileiras fora do país. “Acho que conseguimos trazer praticamente todas as empresas para um acordo”, escreveu Odebrecht ao assessor do ministro. Alguns dias depois, o diretor jurídico da empresa, Maurício Ferro, enviou e-mail a Odebrecht, ressaltando a importância de ele atuar para que o projeto saísse como desejavam. “Será importante você ter a reunião com GM (Guido Mantega) amanhã depois da PR (presidente Dilma Rousseff). Receita continua criando dificuldades e Dyogo precisará do apoio do ministro”. Há também mensagens no celular do ex-presidente do grupo Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, que indicam a atuação do grupo junto ao governo, em nome do setor. “Otávio, CNO (Construtora Noberto Odebrecht) vai trabalhar via CNI o destaque do parágrafo 2 do art. 83 no plenário. Segundo eles a ação será alinhada com o relator”, escreveu um diretor da Andrade Gutierrez a Azevedo.Em nota, a Braskem informou que desde quando vieram à tona alegações de “supostos pagamentos indevidos citando a Braskem”, a empresa “contratou escritórios de advocacia com experiência em casos similares nos Estados Unidos e no Brasil para a realização de uma investigação independente”.“A Braskem segue empenhada em elucidar eventuais fatos ilícitos e continuará cooperando com as autoridades”. completa o comunicado. A Odebrecht não comentou a informação.
