Prestes a completar 205 anos, Associação Comercial tenta incentivar fim da crise
Por Bruno Luiz
Luiz Fernando Queiroz, presidente da ACB | Foto: Reprodução / YouTube
Pioneira no Brasil e na América Latina, Associação Comercial da Bahia (ACB) completa nesta sexta-feira (15) 205 anos de existência. Fundada em 1811, a entidade completa mais um ano de seus dois séculos de história com muitos desafios a enfrentar. Entre eles, encontrar soluções para tirar o Brasil da crise e retomar o crescimento econômico e reduzir as desigualdades entre estados da região Nordeste e do Sul-Sudeste do Brasil. “Até os dias atuais a associação luta contra aumento da carga tributária, intervenção do estado, defendendo o desenvolvimento com sustentabilidade e inclusão social”, conta o presidente da ACB, Luiz Fernando Queiroz, em entrevista ao Bahia Notícias. Segundo o mandatário, a história a entidade conta com três fases. "Ela começou em 1811 e introduziu o capitalismo por aqui. É a primeira do Brasil, das Américas e da Europa-Ibérica. No século XIX, temos o nosso primeiro ciclo. O segundo ciclo vai da Primeira Guerra até a Grande Depressão de 29. Aqui, a nossa preocupação foi com a economia da Bahia que ficou muito abalada durante esse período, e isso vai até 1950. Aqui dentro foram discutidos empreendimentos como a Usiba, o Polo Petroquímico de Camaçari e o Centro Industrial de Aratu e, principalmente, a redução dos desníveis regionais. Nós fomos modificando a ênfase conforme o período histórico”, relembra. Vivenciando históricas crises econômicas, a ACB volta a testemunhar uma nova crise, que colocou o Brasil em recessão e aumentou os níveis de desemprego. Para sair deste momento, a entidade defende medidas como o não aumento de impostos e o corte de gastos federais. “Estamos indo até a Assembleia Legislativa discutir com os deputados e mostrar que não é bom aumentar carga tributária. Já que não pode mais endividar e aumentar a carga tributária, a última saída seria provocar uma grande inflação, o que por si só é um processo cruel, pois causa deterioração dos créditos do governo. Estamos desenvolvendo também um projeto chamado ‘Comércio mais forte’, porque estamos vendo muitas lojas fecharam na Bahia. Fomos também aos shoppings, às ruas, mostrando que não dá para cobrar juros altos e aumentar a carga tributária. Precisamos do alongamento do prazo de pagamento da carga tributária. Mas não dá para sairmos da crise sozinhos e estamos procurando junto ao governo federal ter alguma interferência”, explicou Queiroz ao reconhecer que a crise está arrefecendo “minimamente”. Ainda segundo o presidente da bicentenária instituição, o governo federal precisa reduzir o “fosso” no repasse de recursos para o Nordeste e estados do Sul e Sudeste do Brasil. "O Nordeste concentra 28% da população e só 12% dos recursos federais. A região vive uma drenagem do sistema financeiro e tributário. O Nordeste é drenado continuadamente. A concentração tem sido no Sul, sobretudo em São Paulo. Não temos mais sistema financeiro, não temos mais grandes empresas baianas, por causa da concentração em São Paulo. É preciso de uma política que desconcentre isso. Para isso, precisa de investimentos do governo”, reivindicou. Para o futuro, o presidente afirmou que tem apostado na renovação dos quadros da entidade. Criamos a ACB jovem e a ACB da mulher. Com isso, pretendemos modernizar o quando e preparar a nossa sucessão. Com isso, esperamos completar mais 205 anos. Uma entidade que faz 205 anos é fruto de sonho coletivo e esse sonho precisa continuar”, afirmou.
