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Engenheiro morto em ação da PM tinha processo contra a corporação

Engenheiro morto em ação da PM tinha processo contra a corporação
Foto: Reprodução
Morto durante uma ação da Polícia Militar no último dia 18, na Avenida Paralela, o engenheiro e professor Moacyr Três da Costa Trindade, 61 anos, era autor de um processo contra a PM, que pedia uma indenização de R$ 350 mil por uma agressão sofrida em março do ano passado, durante uma abordagem. Segundo informações do jornal Correio, Moacyr foi morto com um tiro na veia femoral e outro na região genital, durante a operação da Operação Gemeos, que é especializada em combate a assaltos a coletivos. Ele tinha saído de um supermercado, onde comprou leite e granola, e seguia para um condomínio na Paralela em um Ford Ka, que foi atingido pelos disparos. Já os alvos do processo, que tramita na 7ª Vara da Fazenda Pública, diz respeito a policiais do Esquadrão Águia. O processo indenizatório por danos morais e materiais, relata que o professor seguia do Ifba, onde trabalhava desde 2010, para casa, onde jantaria. Ele pretendia voltar à unidade para dar aula na mesma noite.  Moacyr conduzia seu veículo, um Celta branco, e percebeu, na altura do Shopping da Bahia, na Avenida Tancredo Neves, que um homem numa moto forçava a passagem e que passou a dar socos contra o carro. De acordo com o relato, o homem ultrapassou, parou a moto na frente do Celta e desceu com um revólver apontado na direção do engenheiro, que então parou. Outro homem se aproximou em uma segunda moto e o pneu esquerdo traseiro do Celta com uma faca. Ele não sabia, mas os dois eram policiais do Esquadrão Águia. Moacyr afirma nos autos que pediu ajuda a uma guarnição do Comando de Operações Especiais da Polícia Militar (COE/PM), que passava na hora. “Mas para sua surpresa, os agressores também deslocaram-se em direção à viatura, e chegando lá conversaram com os policiais que estavam dentro dela”, diz trecho do processo. Em seguida, um dos PMs desceu da viatura e metralhou o pneu do carro do professor. O professor diz que retornou ao carro, mas que teria sido retirado à força pelos policiais, jogado no chão, algemado. Ele teve os vidros do carro quebrados pelos PMse foi levado a Central de Flagrantes, no Iguatemi. O professor contou também que o dinheiro que tinha na carteira fora roubado, e que ele voltou a pé para casa. A versão dos policiais, apresentada à Central de Flagrantes, é diferente. O sargento Marcelo do Nascimento Matos, acompanhado dos soldados Flávio Ferreira de Jesus e Gabriel Miranda da Silva afirmou que a equipe foi alertada, quando passava pela Tancredo Neves, de que o motorista do Celta branco havia ameaçado um motorista de um Polo branco com uma arma de fogo. A guarnição pediu para Moacyr parar, mas ele teria ignorado a ordem, “jogando o veículo contra os motociclistas, que foi preciso pedir apoio a colegas (COE/PM) que estavam trafegando próximo ao local para efetuar abordagem ao veículo e condutor, que resistiu, tendo que os policiais furar os dois pneus do veículo para que o condutor não fugisse do local”.  O Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) registrado pelos policiais afirma também que os integrantes do COE foram xingados quando pediram para Moacyr desembarcar do veículo e que os tiros foram dados no carro por conta da resistência. Moacyr foi indiciado, à época, por desacato. Ele admitiu, no TCO, que xingou um dos policiais. O Ministério Público pediu arquivamento do TCO por falta de provas, o que foi acatado pelo juiz Edson Souza, em junho de 2015. Procurada pelo Correio, a promotora Isabel Adelaide Moura, do Grupo de Atuação Especial para o Controle Externo da Atividade Policial (Gacep), respondeu via assessoria de comunicação que existe inquérito instaurado e o MP-BA já requisitou todas as periciais e documentos necessários. Sobre o inquérito que apura a morte do professor e engenheiro, o corregedor adjunto da PM, tenente coronel Manoel Amâncio Souza Neto, informou que aguarda os laudos do DPT. “Foram solicitados exames periciais de balística, análise de viaturas, por exemplo. A previsão de conclusão é de 30 dias”, declarou o corregedor adjunto da PM. Oito policiais estão afastados do policiamento ostensivo.