Ex-deputado morto há seis anos se torna alvo de investigados da Lava Jato
Foto: Câmara dos Deputados
O ex-deputado federal José Janene, morto há seis anos, é novo alvo da Operação Lava Jato. O nome do ex-parlamentar pelo Partido Progressista tem sido usado por suspeitos investigados na operação como bode expiatório. O doleiro Alberto Youssef já relatou em delação que virou amigo de Janene em 1997; Janene indicou Paulo Roberto Costa para a Diretoria de Abastecimento da Petrobras em 2004, a partir de quando instalou-se na empreiteira um grande esquema de desvio de dinheiro e propina de empreiteiras para políticos. De acordo com reportagem da Folha, há investigados que tentam usar o nome do falecido para minimizar e se isentar de responsabilidades, como Augusto Mendonça, executivo da Toyo Setal, que sugeriu tom de ameça nas negociações com Janene. "As conversas sobre isso eram impositivas", disse. Ricardo Pessoa, da UTC, reforçou a tese ao declarar que havia sido avisado por Janene que não continuaria na Petrobras caso suspendesse o suborno. Gerson Almada, da Engevix, e Rogério Cunha de Oliveira, da Mendes Júnior, mantiveram a linha de defesa dos demais empresários. O deputado federal Nelson Meurer (PP-PR) também culpou Janene e sua defesa apontou Janene como único responsável, ao questionar questionou uma denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) no Supremo Tribunal Federal (STF). "A defesa não cria a tese de que o Janene era o líder, são os delatores. Não é uma tentativa de fugir da responsabilidade. É que essa responsabilidade não existia", disse o advogado do deputado, Michel Saliba. A estratégia de culpar Janene é conhecida de outros escândalos, como o mensalão - Janene era réu e morreu antes de ser julgado. As defesas dos investigados ainda usam Janene para justificar a ilegalidade do que viria a se tornar a Lava Jato, já que na época que foi iniciada o investigado ainda era deputado e tinha foro privilegiado. O juiz Sergio Moro, no entanto, considera que o caso teve início com a atuação do próprio Janene na cidade paranaense de Londrina, então a Lava Jato é de sua responsabilidade. Uma das filhas de Janene, Danielle, critica as menções feitas a seu pai. "Fica fácil direcionar a culpa para ele, dizer 'fui vítima, quem comandava era ele e eu obedecia'. Pode ser, mas eles se beneficiaram, sem sombra de dúvida", disse.
