Em depoimento lido por Cardozo, Dilma diz ser vítima de ‘farsa jurídica e política’
Por Bruno Luiz
Foto: Marcelo Camargo / Agencia Brasil
A presidente afastada Dilma Rousseff afirmou em depoimento em forma de carta enviado à comissão do impeachment ser vítima de uma “farsa jurídica e política”. Como optou por não ir pessoalmente ao colegiado, o documento foi lido nesta quarta-feira (6) pelo ex-ministro e seu advogado, José Eduardo Cardozo. "O que mais dói é perceber que estou sendo vítima de uma farsa jurídica e política", sustenta Dilma. No texto, a petista disse ainda que vai “lutar com todos os instrumentos legais de que disponho para exercer o meu mandato até o fim". Ao reconhecer ter cometidos erros de natureza política e a pessoal, a presidente negou, entretanto, ter sido desonesta e afirmou que aqueles que apoiarem seu afastamento sentirão “vergonha” no futuro. "Os que forem dignos e honrados, se nessa luta capitularem, não deixarão, cedo ou tarde, de sentir o terrível peso da vergonha, ao vislumbrarem seu próprio rosto no espelho da história [...] posso afirmar em alto e bom som, jamais se encontrará na minha trajetória de vida a desonestidade, a covardia ou a traição. Jamais desviei um único centavo do patrimônio público para meu enriquecimento pessoal ou de terceiros. Jamais fugi de nenhuma luta, por mais difícil que fosse, por covardia. E jamais traí minhas crenças, minhas convicções, ou meus companheiros, em horas difíceis", diz trecho. A presidente afastada sustentou também as pedaladas fiscais, um dos motivos que sustentam o pedido de impeachment, eram “rotineiras” nos governos de Fernando Henrique Cardoso e de Lula e rebateu a acusação de que os decretos de abertura de crédito suplementar assinados em 2015 por ela violavam a meta fiscal. "Teriam estes Presidentes também atentado contra a Constituição, incorrendo na prática de crimes de responsabilidade? Por que teriam então silenciado os órgãos de controle, aprovando as suas contas, após a detida análise da execução orçamentária? Por que então, exclusivamente no meu governo, que seguiu um procedimento e um entendimento acolhido e reproduzido há anos, se deveria qualificar a edição destes decretos de abertura de crédito suplementar como prática de atos ilícitos graves e dolosos? Por que se adota, no caso, diante de atos idênticos praticados por governos diferentes, dois pesos e duas medidas?", questiona. Dilma também argumentou que o processo foi aberto pelo fato de ela não ter interferido para enfraquecer a Operação Lava-Jato. "Desde a sua abertura pelo Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, as razões reais e a finalidade objetiva que movem este processo de impeachment são absolutamente claras. Várias forças políticas, viam e continuam a ver, a minha postura de não intervir ou de não obstar as investigações realizadas pela operação “Lava Jato”, como algo que colocava em risco setores da “classe política” brasileira", registra outro trecho. Leia a defesa completa aqui.
