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'Não existe cultura do estupro, existem estupradores', afirma Feliciano

'Não existe cultura do estupro, existem estupradores', afirma Feliciano
Foto: Zeca Ribeiro/ Câmara dos Deputados
Durante uma audiência na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, nesta quinta-feira, (9), o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) foi alvo de vaias e protestos ao afirmar que "não existe uma cultura de estupro" no Brasil. "Na minha concepção, não existe no nosso país uma cultura de estupro, existem estupradores", afirmou durante reunião convocada para discutir atos de estupro no país. Para o deputado, o que existe é uma "geração delinquente" e uma "erotização precoce". "Estive em São Paulo e soube que lá teve 10 mil casos de estupro registrados no último mês. Achei isso um surto, se fosse isso, é uma cultura de estupro. Mas fiz questão de ir atrás desses casos, e em menos de 5% houve conjunção carnal. Houveram atos libidinosos, assédios, mas não estupro relacionado como conhecemos desde que somos crianças. O que se quer criar é essa pecha de que o brasileiro tem o costume de estuprar mulheres", disse Feliciano que no momento seguinte foi alvo de protestos da plateia. Os presentes lembraram que a lei 12.015, de 2009, considera estupro também os casos de atos libidinosos. "Podem gritar, vou continuar falando", rebateu o pastor evangélico. Para ele, não se pode usar o termo "cultura" para justificar os casos de estupro no país. "Cultura tem a ver com crença, arte, moral, lei e costumes, o que não pode ser associado ao estupro. Existe no nosso país um bando de gente delinquente, sociopatas, psicopatas. Pessoas maltratadas no seio da sua família, com algum tipo de trauma...Moro em uma casa com seis mulheres, minha mãe, minha esposa, minha sogra, minhas três filhas. E sempre ensinei às minhas mulheres que deem respeito para que sejam respeitadas", afirmou no início da audiência. Sem conseguir conter os protestos, o deputado interrompeu a fala e deixou a sessão em meio a vaias.