'Não era sobre um pacto sobre a Lava Jato', diz Jucá; Temer aguarda impacto
Foto: Wilson Dias / Agência Brasil
Após a Folha de S. Paulo divulgar conversas gravadas com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, o ministro do Planejamento, Romero Jucá, afirma que não eles não se referiam à Operação Lava Jato no diálogo. Na gravação, de março deste ano, Machado faz referência à um "grande acordo nacional" em torno de eventual nova gestão. "Com tudo, aí parava tudo", afirma. "Com o Supremo, com tudo", responde Jucá. "Delimitava onde está, pronto", conclui o ministro. Em entrevista ao Blog do Fernando Rodrigues, Jucá afirma que a menção a um “pacto” tem um sentido mais amplo. “Aquela conversa não era sobre um pacto sobre a Lava Jato. É sobre economia, para tirar o Brasil da crise. Quando falo em delimitar é sobre o prejuízo que as empresas terão de pagar. Para que se decida de uma vez. Não ficar algo solto com ilações sobre todo mundo”, justifica. Em relação ao STF, o ministro aponta que seria bom que o Supremo Tribunal Federal pudesse dizer “logo quem é que tem culpa e quem não tem”. “Eu estou num inquérito com 39 pessoas. Eles têm que informar e delimitar quem é culpado. O mesmo também a respeito das empresas”, afirma. O peemedebista acredita que o diálogo possa ter sido gravado de forma presencial, e descarta a possibilidade de grampo telefônico. Ele informou ter participado de dois encontros pessoais, “possivelmente” em março, com Machado, que também é citado na Lava Jato: uma das conversas ocorreu no gabinete de Jucá, ainda como senador, antes de assumir o Planejamento. O outro em sua casa, em Brasília. “Teve um dia que eu estava em casa, cedo, e me disseram que havia chegado o Sérgio Machado. Não foi algo que ele tivesse me avisado. Mas eu o recebi e tomamos café juntos”, relata, acrescentando que só os dois estavam no recinto. “Não sei se foi ele o responsável pela gravação ou se colocaram microfones na minha casa. Não tenho como fazer um julgamento a respeito disso”, completou. Jucá já tratou do “vazamento” com o presidente interino Michel Temer. “Eu conversei com o presidente Michel Temer ontem. Disse do que se tratava, expliquei o contexto. Ele me disse que teríamos de ver hoje, esperar a publicação. ‘Vamos ver, vamos ver’, ele falou. Eu estou tranquilo, pois tudo o que está dito ali eu falo em minhas entrevistas. Falo sempre sobre a necessidade de acelerar as investigações –esse é o sentido de delimitar—para que o Brasil saiba logo quem tem responsabilidade e quem não tem. Não podemos ficar paralisados”, explicou ele, que descarta pedir demissão. Por que vou pedir demissão se estou dizendo isso [sobre Lava Jato] desde o começo?", disse, ao jornal Folha de S. Paulo. Segundo ele, o mais constrangedor são as “palavras feias”. “Pois não uso esses termos em entrevistas”, disse.
