Associação critica Olavo de Carvalho após sugestão de que cuspe de Jean transmitiria Aids
Por Renata Farias
Foto: Divulgação/ Montagem
A Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia) publicou nesta quarta-feira (20) nota de repúdio ao comentário do filósofo e jornalista Olavo de Carvalho com relação ao cuspe (veja aqui) desferido pelo deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) na direção do parlamentar Jair Bolsonaro (PSC-RJ) após votação do impeachment na Câmara. Na última terça-feira, Carvalho publicou em sua conta no Twitter que Bolsonaro deveria requerer à Justiça "que force o deputado Jean Wyllys a submeter-se a exame para verificar se sua saliva não transmite o vírus da Aids". "Senhor Olavo, a AIDS se propaga por meio do vírus biológico e por meio do vírus ideológico. A ciência já provou há muito tempo que saliva não transmite o vírus biológico, mas ela pode transmitir o vírus ideológico (que é o mais perigoso) quando usada em discursos desinformados e preconceituosos como o seu", criticou a Abia. "Ao invés de se preocupar com a saúde do Sr. Bolsonaro, sugerimos que se preocupe com a saúde da população brasileira e com as atuais deficiências na luta contra a Aids, como precarização dos serviços, preço abusivo de medicamentos essenciais, falta de campanhas educativas, dentre muitas outras".
Foto: Reprodução/ Twitter
Em resposta, o intelectual citou o artigo 131 do Código Penal, que condena a prática de ato que possa colocar em risco a saúde de outra pessoa, e critica a associação. "Alguém tem o direito de proibir a possível vítima de exigir uma confirmação médica de que não houve transmissão? A tal Associação Brasileira de Aids acha que tem", escreveu ao citar artigo acerca da transmissão de HIV por meio da saliva. Jean Wyllys não se posicionou sobre os comentários.