Uber, prefeitura e política: mercado vai ditar a regularidade ou não do serviço
Por Fernando Duarte
Foto: Montagem/ Bahia Notícias
O duelo entre Uber e a prefeitura de Salvador mostra as contradições dos conceitos de liberalismo econômico e posicionamento político. Considerado um político de direita, com perfil mais próximo ao neoliberalismo, ACM Neto (DEM) não esconde ser contrário ao aplicativo de corridas privadas. E não há nada mais liberal do que o livre mercado. A discussão, até então restrita a legalidade do Uber, passa também pelos interesses políticos do prefeito. Quer medir a popularidade de um gestor municipal? Questione os taxistas. Eles são considerados fundamentais no processo de disseminação de opinião sobre um prefeito. Tanto que, em 2012, quando o radialista Mário Kértesz tentou voltar à prefeitura, havia o receio de que a candidatura do peemedebista poderia ser alavancada pelas relações próximas entre ele e a categoria – como não lembrar dos vídeos da campanha eleitoral em que MK circulava pela capital baiana em um táxi, por exemplo. Candidato ou não à reeleição em outubro, ACM Neto sabe que comprar a briga contra o Uber pode render mais embatia com os taxistas. E, caso a Justiça acate a regularidade do serviço privado de transporte, o prefeito argumenta que decisão judicial não se discute, se cumpre. A guerra entre Uber e o município de Salvador possivelmente terá como vencedor o consumidor e o usuário de serviços de transporte privado: taxistas se adaptarão ao novo modelo de mercado, os motoristas de Uber – regularizados ou não – continuarão coexistindo e a prefeitura vai arrecadar com ambos os serviços. Quer algo mais representativo do liberalismo econômico que esse cenário?
