MPF diz que condução coercitiva a Lula foi necessária e discussão é 'cortina de fumaça'
Foto: Paulo Pinto / Fotos Públicas
A força-tarefa da Operação Lava Jato no Ministério Público Federal afirmou que a discussão em torno da condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é "cortina de fumaça sobre os fatos investigados". Em nota publicada neste sábado (5), os procuradores lembraram que em toda a operação foram cumpridos 117 mandados semelhantes, e até então nenhum deles havia gerado questionamentos, o que comprova que os críticos se insurgem não contra a condução, "mas sim pela condução coercitiva de um ex-presidente da República". "Apenas nesta última fase e em relação a apenas uma das conduções coercitivas determinadas, a do senhor Luiz Inácio Lula da Silva, houve a manifestação de algumas opiniões contrárias à legalidade e constitucionalidade dessa medida, bem como de sua conveniêcia e oportunidade", dizem. De acordo com o G1, o MPF também rebateu a crítica do ministro do Supremo Tribunal Federal (MPF) Marco Aurélio Mello, que na sexta-feira (4) discodou da decisão dizendo que só concebia a medida se houvesse recusa do intimado a comparecer ao depoimento. Segundo procuradores, a condução coercitiva é menos grave do que a prisão temporária e serve para garantir a segurança do investigado e da sociedade e evitar dissipação de provas, tumulto na sua busca e propiciar oportunidade segura para um possível depoimento. "Assim, para a segurança pública, para as segurança das próprias equipes de agentes públicos e, especialmente, para a segurança do próprio senhor Luiz Inácio Lula da Silva, além da necessidade de serem realizadas as oitivas simultaneamente, a fim de evitar a coordenação de versões, é que foi determinada sua condução coercitiva", argumenta o MPF. O ex-presidente Lula está sendo investigado após surgirem indícios de que ele recebeu dinheiro desviado da Petrobras por meio de reformas no apartamento triplex do Guarujá (SP) e do sítio de Atibaia (SP). Além diss, há evidências que o petista recebeu móveis de luxo nos dois imóveis e teve armazenagem de bens e transportadora pagas pela construtora OAS, uma das investigadas na Lava Jato. Conforme MPF, são ainda alvo de investigação pagamentos que passam de R$ 30 milhões para o Instituto Lula e para empresa de palestras do petista.

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