Crezo Dourado diz que A Tarde vai acabar e culpa família e diretores por ‘rombo’
Por Alexandre Galvão / Luiz Fernando Teixeira
Crezo Dourado | Foto: Reprodução/ Época
O imbróglio entre o grupo Piatra SP Participações – representado pelo empresário Crezo Dourado – e a família Simões, fundadora do jornal A Tarde, parece estar muito longe de um fim pacífico (veja aqui o desenrolar da confusão). Em entrevista ao Bahia Notícias nesta sexta-feira (4), Crezo Dourado afirmou que os desentendimentos irão acabar com a centenária publicação e que a família foi avisada disso. “É [vai acabar o jornal]. Não só pela confusão de hoje, que foi só o início de tudo. Eu falei a eles que a empresa não aguentaria uma confusão”, asseverou. De acordo com o empresário, ele foi enganado pelo diretor-geral do jornal, André Blumberg, e por um membro da família – que não foi nomeado – no momento da compra do noticiário. “Em janeiro, eu fui procurado numa sexta-feira por Blumberg e um Simões. Eles me falaram que, na terça-feira seguinte, o jornal iria parar de circular por falta de recursos e, com a urgência de vender o jornal, me apresentaram uma auditoria. Eu confiei neles. O demonstrativo mostrava que o passivo do jornal era de R$ 120 milhões e, deste montante, R$ 70 milhões eram tributários. Depois que entrei na empresa, vi outra realidade. O passivo era de R$ 250 milhões e, só de tributário, R$ 176 milhões”, apontou. A auditoria da Piatra SP Participações identificou ainda, segundo Crezo, que eles cometeram atos arbitrários e que na auditoria se constatou a prática de crimes de sonegação fiscal, apropriação indébita previdenciária de forma continuada, retenção dos tributos dos funcionários e o não repasse aos cofres públicos. “Uma fiscalização e o jornal não aguenta 15 dias. A sonegação existe e é muito séria”, concluiu. Com as contas no vermelho, Crezo disse ao BN que cumpriu o prometido com a família: em dois meses, depositou R$ 600 mil do pagamento parcelado que havia sido acertado no momento da venda. “Paguei a primeira parcela de R$ 300 mil e a segunda, no mesmo valor, eu paguei até adiantado”, relembra, ao enfatizar que não descumpriu nenhuma cláusula do contrato assinado.
André Blumberg, diretor-geral do A Tarde, apontado como "bandido" por Crezo Dourado | Foto: Inácio Teixeira l Coperphoto
Sede do jornal A Tarde | Foto: Divulgação
