Lavagem do Bonfim reúne estreantes e veteranos de procissão na Colina Sagrada
Por Guilherme Silva
Fotos: Diogo Macedo/ Ag. Haack/ Bahia Notícias
Os oito quilômetros que separam a Igreja de Conceição da Praia da Igreja do Bonfim misturam petistas e democratas, tricolores e rubro-negros, baianos e turistas. Também se confundem na procissão os viajantes de primeira viagem e aqueles que conhecem cada pedaço que leva à Colina Sagrada. A fé levou Larissa a cumprir o trajeto pela primeira vez vestida de baiana em 2016. Adepta do candomblé, apenas aos 17 anos ela conseguiu realizar o desejo de lavar as escadarias. "Vai virar tradição. Meus irmãos de santo me chamaram para participar e eu aceitei. O Senhor do Bonfim no candomblé é Oxalá, o pai maior, o pai da paz, o pai do branco, e a gente sempre está reverenciando ele". A caminhada começou perto das 9h na Cidade Baixa e levou até depois de 12h para que os primeiros fiéis, debaixo de forte sol, pudessem amarrar suas fitinhas no Bonfim. O exercício pode parecer exaustivo, mas já se tornou uma rotina para quem cumpre o percurso desde criança. "Desde os cinco anos", responde orgulhosa Jaciara Souza, 48 anos, quando perguntada sobre sua experiência na festa. "Minha mãe morreu, meu pai morreu, mas continuo vindo", disse a moradora do Retiro, pouco depois de amarrar sua fitinha. E se é a devoção a Deus ou Oxalá que mantém acesa a vontade de comparecer a cada ano, o amor a um companheiro também pode trazer um novo participante para a lavagem. "Eu namoro um rapaz daqui e ele me fez vir pra cá conhecer como é a cultura", conta a paraense Bruna Cassebe, 22 anos, que em seu primeiro ano de Bonfim fez questão de cumprir todo o trajeto.
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Paraense, Bruna foi "convocada" pelo namorado para a lavagem

Carolina e João foram para o Bonfim juntos pela primeira vez
