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Gabrielli autorizou pagamentos a agência suspeita de lavagem de dinheiro, diz PF

Gabrielli autorizou pagamentos a agência suspeita de lavagem de dinheiro, diz PF
Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil
O ex-presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, autorizou pagamentos da estatal à agência de publicidade Muranno, suspeita de ter sido usada para lavagem de dinheiro. Os indícios foram organizados pela força-tarefa da Operação Lava Jato. Gabrielli afirma que nunca manteve contatos com a Muranno. De acordo com reportagem do Valor Econômico desta segunda-feira (9), a investigação sobre a publicidade da Petrobras ganhou aprofundamento na semana passada, depois que a estatal enviou à Polícia Federal todos os contratos firmados com a agência, considerados irregulares pela própria petrolífera. Por conta disso, o ex-gerente de Marketing, vinculado à diretoria de Abastecimento, Geovanne de Morais, foi demitido. O ex-funcionário seria apadrinhado de Gabrielli na Petrobras, segundo investigadores. Dois dos principais delatores da Operação Lava Jato, o ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, e o doleiro Alberto Youssef, afirmam que pagamentos de R$ 6 milhões feitos à Muranno foram ordenados por Gabrielli para resolver uma "pendência" da estatal com a agência. Procurado, Gabrielli respondeu por meio de nota que nunca teve contratos com a Muranno e soube pela reportagem que a agência prestava serviços da comunicação do Abastecimento, não da comunicação corporativa. "Desta forma não poderia haver 'uma pendência' da Petrobras com a referida empresa. Se havia alguma pendência com a área de Abastecimento, não era do conhecimento da Presidência da Petrobras. Nunca tive esta conversa [sobre os pagamentos à Muranno] com o Paulo Roberto Costa", concluiu. Os investigadores da Lava Jato esperam concluir até 19 de dezembro, quando inicia o recesso judicial, a corrupção atribuída aos contratos de publicidade e o restante das ações civis por improbidade administrativa atribuída a empreiteiras investigadas suspeitas de corrupção e formação de cartel na Petrobras. O Ministério Público Federal (MPF) considera as ações instrumentos fundamentais para reparar os prejuízos causados aos cofres da estatal - até agora, foram ajuizadas cinco ações de improbidade que pedem a condenação ao pagamento de R$ 4,47 bilhões por susposto enriquecimento ilícito às empresas Camargo Corrêa, OAS, Mendes Júnior, Galvão Engenharia e Engevix. O MPF também deve ajuizar até o final do ano ações pelas prática de formação de cartel. A força-tarefa aguarda a conclusão do relatório final do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) do Ministério da Justiça para promover as ações sobre o cartel em parceria com o órgão. Na área criminal, entretanto, a força-tarefa ainda não encontrou solução para um entrave técnico decororente da acusação por cartel. Investigadores temem que a propositura de uma ação única transforme o processo em uma ação demasiadamente complexa e que tende a se arrastar pelas demais instâncias judiciais. A solução seria "fatiar" as denúncias por empresa.