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Lobão critica 'perversão' da Lei Rouanet e acusa Gil: 'mamou todos os editais possíveis'

Por Renata Farias / Luana Ribeiro

Lobão critica 'perversão' da Lei Rouanet e acusa Gil: 'mamou todos os editais possíveis'
Foto: Renata Farias / Bahia Notícias
As críticas de Lobão à gestão petista, durante a Jornada Bahia e Sergipe de Psiquiatria, realizada na noite desta sexta no Hotel Fiesta, em Salvador, não se limitam apenas ao cenário político e econômico. Na área da cultura, da qual é integrante, aponta um silenciamento dos artistas e intelectuais – como exemplo, cita o também cantor e compositor Chico Buarque, que com seu “peso”, não deveria, em sua opinião, ser “apupado como se fosse mero ministro da Fazenda do PT” e apoiar o governo. A polêmica Lei Rouanet, que considera em princípio “bem intencionada”, também foi apontada como um problema. “A lei é perversa no seu bojo, porque na verdade o próprio Rouanet explicou que a lei foi feita basicamente para favorecer artistas em início de carreira, ou artistas que tipo o Hermeto Pascoal, experimentais, que não tem como viés o mainstream, e não estar com o retorno econômico como seu fator principal”, explica, para complementar: “O empresário é quem vai descontar do seu balanço final, do que era o Imposto de Renda, para poder eleger um edital desses para que ele possa descontar. Quanto mais ele descontar, melhor para ele. Agora, quando o primeiro canalha do mainstream entrou numa de pedir um edital, ele simplesmente desestruturou todos os outros artistas. Se a Maria Bethânia quer R$ 2 milhões para fazer um blog, o cara quer R$ 100 mil para fazer uma turnê em Cascadura, tá f*”. Para Lobão, os ganchos necessários para emplacar os editais – “a festa da morte de Dona Canô”, “os 35 anos de carreira”, “homenagear o morto, que também dá ibope”. “A própria elaboração burocrática já é uma perversão dentro do processo criativo”, aponta. Ele reclama também que os espetáculos financiados pelos editais não tem obrigação de lotar os espaços de apresentação. “Você ganha R$ 100 mi, R$ 50 mil, você da R$ 50 mil para o teatro, bota 3 pessoas lá. Você não tem porque lotar, está com seu dinheiro em casa, não precisa botar público, não precisa mais ser criativo. Não precisa fazer mais nada e ganhar seu dinheiro. E muito dinheiro”. Por “ser um homem” e ter “calças para honrar”, afirma ter recusado um edital de R$ 2 milhões para uma turnê, por já ser um artista consagrado. “Você pode imaginar a promiscuidade que é Gilberto Gil, enquanto ministro da Cultura, ele subdividir sua mulher, Flora Gil, que é sua empresária, e mamou todos os editais possíveis, desde o Camarote 2222...Isso é uma imoralidade”, acusa. Para Lobão, a “eminência parda” do enfraquecimento da música independente, é o produtor cultural Pablo Capilé, idealizador do circuito Fora do Eixo, que define como “uma pessoa execrável”, “o cara que está acabando com a música independente”. Sobre sua situação após emergir como opositor do governo, ele relata ter recebido calúnias, mas que tem feitos shows lotados após os debates nos quais se envolveu. “Não adianta peitar uma figura como eu, que são todos uns perdedores”, declara.