Em jornada de Psiquiatria, Lobão critica governo e Wagner e afirma: 'Nunca fui PSDB'
Por Renata Farias/ Luana Ribeiro
Fotos: Renata Farias / Bahia Notícias
Um dos mais aguerridos críticos da política executada pelo governo petista, o cantor e compositor Lobão discorreu na noite desta sexta-feira (11) sobre a crise vivida pelo país nos últimos meses em coletiva de imprensa após o talk show "Vida Louca Vida", parte da programação da Jornada Bahia e Sergipe de Psiquiatria, no Hotel Fiesta, em Salvador. “Na verdade o que acontece com o Brasil é muito simples. Existe um mau gerenciamento e existe u descontentamento popular por causa disso. O resto é atarraxação de lâmpada. As pessoas estão sentindo na carne atualmente. Está havendo um máximo de desemprego, de falências, empresas em crise. Eu moro em São Paulo e você vê que São Paulo, que é locomotiva do país, no país inteiro: ‘aluga-se’, ‘aluga-se’, ‘aluga-se’”, avalia o cantor, que prevê que o cenário deve “piorar mais”. “Espero que isso acabe logo, porque quanto mais a gente se prolongar nesse processo de agonia do governo, é pior para a nação”, diz. Questionado sobre as possibilidades caso ocorra um impeachment da presidente Dilma Rousseff, Lobão sugeriu a realização de eleições gerais, já que o Congresso Nacional estaria “totalmente contaminado”. Entre as exceções que percebe nos quadros dos partidos brasileiros, destaca o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), que considera “absolutamente ilibado”, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), e o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE). “Não temos nenhum partido de tendência realmente liberal. Temos que privatizar tudo, temos que encolher o estado, o estado não pode ser o empresário. Temos que parar com essa ideologia de que estatização é uma coisa que nos protege”, criticou. O cantor ressaltou, porém, que não milita a favor do PSDB: “Nunca fui PSDB, nunca votei, sempre fui um crítico contumaz do PSDB. Acho que o PSDB inclusive é um dos motivos do PT estar no poder, que é a pior coisa que o PSDB cometeu”.

O ministro da Defesa, Jaques Wagner, também foi alvo de reclamações. Recentemente, uma postagem no Facebook do ex-governador da Bahia incluía Lobão em uma peça que apontava times diferentes: o da democracia e o “contra o Brasil”. “Isso é mais grave, porque ele não é só ministro, é ministro da Defesa, primeiro de tudo. O ministro da Defesa é o cara que vai defender o povo brasileiro nas coisas externas. Agora o ministro da Defesa fazer uma espécie de proselitismo político de uma maneira maniqueísta, os 'do bem' e os 'do mal' como se fosse um procedimento de purga stalinista, 'esses são os inimigos do povo', é algo inconcebível o que prova, antes de qualquer coisa, a inépcia dos quadros do PT”, protestou. Lobão também condenou as patrulhas ideológicas destinadas a aniquilar reputações. “Você vê no Twitter pessoas, algumas de credibilidade, vi psiquiatras atestarem minha demência. É de uma baixeza que não dá para se imaginar. Dizer que os shows estão todos vazios, que eu sou um artista decadente. Isso reflete em estado semitotalitário”, classifica. Outro exemplo que mencionou foi o caso do cantor Fábio Jr., que se manifestou contra o governo no último domingo, durante sua apresentação em Nova York como uma das atrações do BR Day. “Você vê o Fábio Jr, estava lá tranquilo, foi a primeira hora dele dizer que era contra, no Brazilian Day lá em Nova York, e dizer que ele é um artista em fim de carreira, que é um brega. É muito engraçado que o partido que defende o povo escorraçar um artista popular porque é ídolo das empregadas”, apontou ele, que definiu as críticas ao cantor como “esquizofrenia”, “percepção assimétrica da realidade” e “paralaxe cognitiva”. “Você consegue julgar seu inimigo com muita facilidade e você não consegue se autocriticar de forma alguma”, complementa.
