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‘Ridicularia de um péssimo parlamentar', diz Mott sobre Dia do Orgulho Hetero

Por Estela Marques

‘Ridicularia de um péssimo parlamentar', diz Mott sobre Dia do Orgulho Hetero
Montagem: Bahia Notícias
O antropólogo e fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB), Luiz Mott, criticou o deputado estadual Pastor Sargento Isidório e o projeto de sua autoria que institui o Dia do Orgulho Heterossexual, aprovado na quarta-feira (26) na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). Para o ativista, o parlamentar é “uma árvore que tem produzido frutos venenosos”, como quando se manifestou contra o exame de próstata, atribuiu a seca de São Paulo à parada gay paulistana e considerou o candomblé a religião do diabo. “Esse projeto do orgulho heterossexual é mais uma ridicularia bizarra de um péssimo parlamentar, de um deplorável ser humano, que não tem vergonha de declarar publicamente que, na sua clínica de cura de dependentes químicos, ele utiliza espancamento como terapia”, acrescentou Mott. A deputada estadual Fabíola Mansur (PSB), defensora dos direitos LGBT na AL-BA, também se manifestou contrária ao projeto, por ser “totalmente inoportuno e sem propósito”. “É tão inoportuno que nem as pessoas que votaram a favor reconhecem que o mérito é pertinente”, disse Fabíola, em referência aos deputados Pablo Barrozo (DEM), Luciano Ribeiro (DEM) e Luciano Simões Filho (PMDB), que foram favoráveis à constitucionalidade da proposta, mas se posicionam contra seu mérito. Até por causa da discussão, a deputada acredita que o projeto do Pastor Sargento Isidório não deve ser aprovado nas próximas comissões que passar. O ativista LGBT Luiz Mott espera que os parlamentares baianos não permitam a aprovação “desta aberração”. “Do mesmo modo como seria absurda a instituição do dia da raça branca ou o dia dos latifundiários, porque afrontam as minorias que sofrem nas mãos dos donos do poder – branco, macho e heterossexual”, disse. Quando questionada sobre o porquê de o deputado Pastor Sargento Isidório ter proposto a instituição do Dia do Orgulho Heterossexual, Fabíola deixou escapar a intenção de angariar votos. “A gente tem que lamentar porque, enquanto representante do Legislativo no estado laico, tem que defender políticas afirmativas das minorias, onde direitos humanos estejam ameaçados. Todo o resto com motivo subliminar, de angariar votos, só tenho que lamentar”, observou. O projeto de Isidório propõe a comemoração do Dia do Orgulho Heterossexual no terceiro domingo de dezembro.