MPF recebe 614 ossadas que podem ser de militantes mortos na época da Ditadura Militar
Pepe Vargas visita local onde estão ossadas| Foto: Marcel Camargo/ Ag. Brasil
O Ministério Público Federal (MPF) recebeu 614 ossadas que estavam em vala clandestina do Cemitério Público Municipal de Perus, na zona noroeste de São Paulo. O local era usado na Ditadura Militar para enterrar secretamente militantes políticos assassinados e outras vítimas da violência do regime. De acordo com a Agência Brasil, o material foi entregue no último sábado (15) e ficarão armazenados em sala-cofre no subsolo do MPF, em São Paulo, até que a reforma no laboratório da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) seja concluída. No laboratório da universidade já existem 433 ossadas, o que fez atingir a capacidade máxima do local – cuja ampliação virá após a reforma. O conteúdo das 385 caixas já foi aberto e verificado. Uma análise antropológica feita por arqueólogos estimou o perfil biológico das ossadas, como sexo, estatura, faixa etária e possíveis traumas. Do que já foi verificado, 85% das ossadas são do sexo masculino e 5% são de crianças. Em 22% das caixas havia mais de um indivíduo, o que significa que o número de pessoas a serem identificadas pode ser maior do que o estimado. De acordo com o ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Pepe Vargas, o ministério está em processo de contratação de um laboratório internacional que deve se dedicar à análise genética das ossadas. O valor gasto gira em torno de R$ 2 milhões.
