Em e-mail, diretor da Odebrecht liga Sérgio Cabral a contrato bilionário no Rio
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
Um e-mail do diretor da Odebrecht, Rogério Araújo, interceptado pela Polícia Federal pode ligar o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), a uma obra investigada pela Operação Lava Jato. No documento, de 4 de outubro de 2007, Araújo indicaria que o peemedebista ajudou a incluir a empreiteira no consórcio responsável por um contrato bilionário no Complexo Petroquímico do Rio (Comperj). "Petrobras/PR vai conversar com o Governador sobre este novo arranjo com a participação da CNO, é importante Sergio Cabral ratificar! e também definir o seu interlocutor neste assunto que atualmente junto a Petrobras e Mitigue é o Eduardo Eugenio", escreveu o diretor a outros quatro executivos da companhia. Segundo a Folha de S. Paulo, “Petrobras/PR” seria Paulo Roberto Costa, à época diretor de Abastecimento da Petrobras, e “Eduardo Eugênio” o presidente da Federação das Indústrias do Rio (Firjan). O e-mail integra uma série de mensagens anexadas à 14ª fase da Lava Jato, que promoveu a prisão de executivos da Odebrecht e da Andrade Gutierrez. Segundo Araújo, a Mitsui e da UTC – à época chamada Ultratec – foram orientadas a aceitar a Odebrecht no consórcio TUC, escolhido pela Petrobras para a obra de US$ 3,8 bilhões (R$ 11,59 bilhões) na Comperj. A construção do ciclo de água e utilidades começou em 2012, mas está parcialmente paralisada e, segundo a Folha, tem indícios de propina. O custo total, com os aditivos, está estimado em US$ 47 bilhões e foi questionado pelo Tribunal de Contas da União. O ex-governador negou que tenha “ratificado” a entrada da empreiteira no consórcio. "O ex-governador Sérgio Cabral jamais interferiu em quaisquer obras da Petrobras, inclusive as do Comperj", afirmou a assessoria do peemedebista. Também mencionado no e-mail, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira disse jamais ter conversado sobre o assunto com Cabral. "Jamais tratei de interesse desta ou daquela empresa no Comperj com o ex-governador. Meu nome foi citado numa troca de e-mails de terceiros (...). A simples menção a meu nome em meio è lama trazida à tona pela Lava Jato é ultrajante", disse.
