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Ex-presidente da Sete Brasil permanece calado em reunião da CPI da Petrobras

Ex-presidente da Sete Brasil permanece calado em reunião da CPI da Petrobras
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Protegido por um habeas corpus, o ex-presidente da Sete Brasil João Carlos de Medeiros Ferraz usou o direito de permanecer calado e não respondeu às perguntas de parlamentares na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras. O depoente limitou-se a dar apenas algumas informações sobre sua formação profissional. Os deputados insistiram em fazer perguntas no depoimento de nesta terça-feira (16) porque, apesar de acusado de receber propina pelo ex-gerente de Tecnologia da Petrobras Pedro Barusco, Ferraz foi convidado como testemunha. De acordo com a Agência Brasil, o deputado André Moura (PSC-SE), sub-relator, foi um dos que tentaram obter alguma resposta, mas ao ouvir por mais de dez vezes que permaneceria em silêncio, o parlamentar atacou. “Se não tivesse o que temer o senhor teria vindo para cá para falar e não ficar calado. Esta é [uma] postura de criminosos que dilapidaram nosso patrimônio", disse. Os integrantes da CPI devem ouvir ainda nesta terça-feira o presidente do Conselho Administrativo da Sete Brasil, Newton Carneiro da Cunha. A Sete Brasil foi criada em 2011 pela Petrobras para construir sondas de perfuração que antes eram compradas no exterior. Desde novembro do ano passado, quando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não liberou o empréstimo de US$ 18 bilhões que já estava aprovado, a empresa investigada na Operação Lava Jato não paga os estaleiros contratados para prestar o serviço. As acusações que pesam sobre a empresa apontam para o pagamento de propinas em contratos. No mês passado, o atual presidente da Sete Brasil, Luiz Eduardo Guimarães Carneiro, disse que essas irregularidades nunca ocorreram por meio de contratos. Segundo ele, se houve desvio de dinheiro isso foi feito fora da empresa. Os depoimentos começaram quase três horas depois do horário previsto. Repetindo o que foi feito na última sessão da CPI, o deputado Afonso Florence (PT-BA) pediu a leitura e discussão da ata da reunião anterior, tomando todo o período da manhã. O parlamentar questionou o procedimento da reunião, inclusive o tempo que teve para falar como líder da bancada e as votações que ocorreram durante os intervalos de suspensão da Ordem do Dia em plenário. Pelo regimento, quando iniciam as reuniões no plenário da Câmara os trabalhos das comissões são suspensos. Na última quinta (11), a CPI aprovou em bloco e sem discussão 140 requerimentos de convocação, acareações e pedidos de quebra de sigilos. A sessão da CPI foi suspensa por início da Ordem do Dia e quando o plenário parou a apreciação da reforma política para tentar um acordo entre líderes a comissão retomou as votações. As declarações de Florence criaram um clima tenso entre o petista e o presidente da comissão, Hugo Motta (PMDB-PB), que tentou explicar a condução dos trabalhos. Ao apoiar Florence, petistas como Jorge Solla (BA) e Maria do Rosário (RS) qualificaram de “golpe” a votação na CPI, durante a suspensão do plenário.