Centro de Convenções: mudança acaba com turismo de negócios, avalia trade
Por Alexandre Galvão
Foto: Divulgação/ UPB
A perspectiva de mudança de local do Centro de Convenções da Bahia torna ainda mais nefasto o cenário do turismo no Estado, de acordo com integrantes do Trade Turístico. Este ano, de janeiro a maio, o setor relata uma média de ocupação de 57,17% - o menor índice em 14 anos, perdendo apenas para 2013 quando o número ficou em 56,06%. Presidente da Federação Baiana de Hospedagem e Alimentação, Silvio Pessoa é contra a saída do Centro de Convenções do atual lugar, no bairro do Stiep. “Aquilo está há mais de 10 anos sem reforma. Qualquer centro demora de quatro a cinco anos para ficar pronto. Se ficarmos esse tempo todo sem um lugar, o turismo de negócios ficará muito prejudicado”, afirmou, em entrevista ao Bahia Notícias, nesta segunda-feira (8). Ainda de acordo com Pessoa, a proposta de mudança para o bairro do Comércio, como quer o governador Rui Costa, não é razoável. “O trânsito lá já é caótico e não tem onde estacionar na região. Não seria o melhor local”, analisou. Em comparação com outros centros do Nordeste, o da Bahia é “muito defasado”, explica Silvio: “Com todo respeito ao povo da Etiópia, mas a Bahia tem um Centro de Convenções da Etiópia enquanto o Ceará tem um padrão Dubai”. Entram ainda na conta do desmantelamento do negócio turístico na Bahia os aumentos de impostos promovidos pelo governo federal. “Aumentou a luz, aumentou a água, aumentou tudo. Quem sofre, infelizmente, é a nossa mão-de-obra”, apontou. Presidente da Salvador Destination, Paulo Guadenzi também afirma que o melhor lugar do Centro de Convenções é “onde ele está agora”. “Se fizer a manutenção, sempre, não tem problema”, indicou. Segundo Guadenzi, a secretaria de Turismo da Bahia e a Bahiatursa estão cientes da posição do trade turístico. “Já falamos em reunião, mas cabe ao governo decidir, né?”, disse. O Bahia Notícias tentou, durante toda a segunda, contato com o secretário de Turismo, Nelson Pelegrino, e com o presidente da Bahiatursa, Diogo Medrado. Os telefonemas, no entanto, não foram atendidos e nem retornados. Nesta quinta (11), integrantes do trade vão dar um "abraço" no Centro de Convenções como forma de protesto pelos planos de mudança.
