MAIS DO QUE DIRETO, IMPOSSÍVEL
Por (Ricardo Luzbel)
No seu discurso de ontem, durante a concorrida posse de José Carlos Brito na Secretaria de Saúde do município, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, foi mais do que direto: em cheio, alvejou o PT, a sua forma de administrar, na medida em que "oferecia conselho" a Brito. Primeiro, negou que haja entre os seus defeitos as palavras "traição e felonia". Numa estocada à forma de administrar do PT (obviamente de quem comanda) disse a José Carlos que "não deixe que sua capacidade de ouvir se torne interminável e se permita, em alguns momentos, a dizer não". O mais interessante foi o conselho para que não confunda "democracia com democratismo" e, que a sua gestão "não seja transformada em assembleísmo". O secretário estadual de Saúde, Jorge Solla, ao lado, ouviu tudo. O que Geddel quis dizer, em síntese, pode ser, no jeito bem popular, traduzido por recuse o lero-lero, ou falar, falar e falar (assembléismo, democratismo) e não dizer ou fazer nada. Geddel quer e está expondo, como marca, um estilo diferente do PT: o de tomar decisões na hora certa, dizer não sem perder a capacidade de ouvir. A crítica é para refletir dez vezes sobre ela. Porque, diferente da propaganda de um banco, " a vida passa, a vida voa, e a gente não está ficando numa boa".