Polícia de São Paulo é alvo de críticas da OAB após caso de travesti espancada
Fotos: Reprodução/Facebook e Divulgação/Defensoria Pública
A polícia de São Paulo foi alvo de críticas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) após a travesti Veronica Bolina ser mantida em uma cela com vários homens e espancada. Verônica, de 25 anos , teve o rosto desfigurado e o cabelo cortado ao se envolver em uma briga com agentes policiais. Ela foi presa sob suspeita de tentar matar uma idosa de 73 anos. Uma resolução da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência recomenda que sejam oferecidos aos travestis "espaços de vivência específicos". A corporação recebeu cobranças do governo federal e da prefeitura de São Paulo, mas alegou que Verônica não pediu para ir para uma cela separada. Na quinta-feira (16), Verônica foi transferida para o Centro de Detenção Provisória Chácara Belém 2 e ficará em uma cela especial para detentos LGBT. Em relato, Verônica disse que foi agredida por policiais na última sexta, quando foi presa acusada de homicídio culposo. Em imagens do último domingo, ela aparece com roupas rasgadas e rosto desfigurado. Para a Defensoria Pública, a travesti passou por tortura e há sinais de maus-tratos, abusos, exposição indevida da imagem, coação e constrangimento ilegal na prisão. "Há suspeita de tortura em virtude de como o rosto de Verônica ficou desfigurado", diz a defensora pública Juliana Belloque ao G1. "É difícil acreditar que para conter uma presa ela tenha que ficar com o rosto espancado". Presidente da Associação de Travestis de Salvador, Millena Passos
, ao Bahia Notícias, disse que Bolina, por ser negra e travesti, sofreu ainda mais. “Ser mulher no Brasil é uma coisa muito difícil. Agora imagine a pessoa que nasce, biologicamente, homem, assume o gênero feminino e ainda é negra? É estigma sobre estigma. O preconceito só vai aumentando”, relatou.
