Votação da CEI do metrô depende de entendimento entre governo e oposição, diz Câmara
Por Alexandre Galvão
Foto: Max Haack / Ag. Haack / Bahia Notícias
Encalhada na Câmara Municipal de Salvador (CMS) há quase dois meses, a instalação da Comissão Especial Inquérito (CEI) que vai apurar possíveis desvios de verbas e superfaturamentos nas obras do Metrô de Salvador só depende de um entendimento entre governo e oposição – de acordo com o presidente da CMS, Paulo Câmara (PSDB). Primo do deputado federal Imbassahy - à época, prefeito de Salvador no período que aconteceu um superfaturamento de ao menos R$ 166 milhões na obra, de acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU) -, Câmara rechaçou qualquer “corpo mole” pelo parentesco com o provável investigado e correligionário. “Não existe nenhum obstáculo com relação a isso. Quem tiver de pagar, que pague. Agora, o que precisa ser feito é o pedido, do governo e da oposição, de colocar o requerimento na ordem do dia da Casa”, afirmou, em entrevista ao Bahia Notícias, nesta segunda-feira (6). Ainda de acordo com o presidente do Legislativo soteropolitano, o próprio Imbassahy já se colocou à disposição para ser ouvido. “Ele fez um ofício e se colocou disponível para falar do assunto”, contou. Líder da oposição na Casa, Luiz Carlos Suíca (PT) disse que a bancada decidiu, nesta segunda, pedir a instalação da Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar as irregularidades nas obras do metrô da gestão Imbassahy. “Vamos pedir celeridade na instalação da CEI. Já existe um pedido e a oposição quer avançar nas investigações. Não existe falta de entendimento, só falta de compromisso, mas vamos cobrar que se investiguem com rigor as denúncias do TCU”, acusou. Líder do governo, Joceval Rodrigues (PPS) ainda não sabe qual a posição da sua bancada. Em entrevista ao Bahia Notícias disse que ouviu do prefeito ACM Neto (DEM) que a instalação da CEI depende da vontade dos próprios vereadores. “A CEI é uma prerrogativa da Câmara. Claro, se for uma investigação legítima e não ‘politiqueira’, a bancada tem todo interesse. Agora, não posso dizer nem que ‘sim’ e nem que ‘não’. Preciso ouvir os vereadores”, indicou. Vice-líder do governo na Casa e proponente da CEI, Henrique Carballal (sem partido) quer que a CEI seja instalada sem nem mesmo ser apreciada pelo plenário. “Se eu tenho 29 assinaturas para a instalação, significa que já tenho 29 votos favoráveis. Então, para quê fazer votação?”, questionou. Ainda de acordo com Carballal, instalar a CEI é garantir a função primordial dos vereadores. “Espero que a Câmara tenha consciência desse papel”, desejou.
