'Não acho correta a adoção por homossexuais', diz Eduardo Cunha no Roda Viva
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O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que, se fosse hoje a convenção do PMDB para manter o apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), ela provavelmente desfaria a parceria originada no segundo mandato do ex-presidente Lula. Perguntado durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira (17), se hoje o partido votaria pela manutenção da aliança, respondeu: "Acho que não, não pela presidenta, mas pelo PMDB; a política tem circunstâncias". Segundo Cunha, é evidente que houve um enfrentamento entre os dois partidos e que isso deixou sequelas. Para Cunha, seu partido, antes maior aliado do PT e hoje em atrito com o governo, não aceita o "presidencialismo de cooptação", que ele alega ter sido imposto pelo governo Dilma. O presidente da Câmara disse que o PMDB não quer "carguinhos", mas quer ser partícipe do governo. "Governar não é só dando cargo, é compartilhando soluções a serem adotadas", afirmou. Cunha afirmou que todos sabem da necessidade do ajuste fiscal, bastando ter algum entendimento da economia, mas reclamou que, nos últimos anos, a presidente não chamou o PMDB à mesa de decisões e que, agora, tenta impor o ônus dos erros de seu governo ao PMDB, quando transfere ao Congresso a responsabilidade de aprovar as medidas.
O presidente da Câmara ainda demonstrou desconforto em ser associado à recriação da comissão especial na Casa para avaliação do Estatuto da Família - polêmico projeto que determina como núcleo familiar apenas aquele composto por homem e mulher e que veda a adoção para casais homossexuais. Cunha disse não ter lido o projeto e afirmou ter reaberto a comissão para avaliá-lo, dentro de um processo regimental. Ele alegou que é o processo normal para quando um parlamentar solicita a retomada da análise de um projeto - retomá-lo do ponto onde havia parado. Pressionado pelos entrevistadores, Cunha admitiu considerar errado que casais homossexuais possam adotar uma criança e não respondeu se sua posição seria um retrocesso para a sociedade brasileira. "Sou contra, acho que não é a melhor maneira de você educar. Sou a favor de uma educação mais 'igualitária', não acho correta a adoção por homossexuais." Cunha alegou que defender pautas conservadoras não significa ser um político conservador. O peemedebista argumentou que "ninguém está indo contra os direitos", mas que a minoria não pode "impor sua pauta" sobre a maioria. Ele reafirmou ainda sua posição contrária ao aborto e disse que deveriam ser presos os médicos que realizam esse tipo de cirurgia, em seu ver um crime hediondo.
