Deputados baianos na CPI da Petrobras receberam R$ 346 mil de empreiteiras que irão investigar
Foto: Montagem Bahia Notícias
A prestação de contas da campanha de 2014, disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revela que todos os cinco deputados baianos que integram a terceira CPI da Petrobras na Câmara dos Deputados receberam doações financeiras das empreiteiras envolvidas nos escândalos de desvios e superfaturamento em contratos da estatal brasileira. Entre as doadoras, aparecem a OAS, UTC e Andrade Gutierrez. Filho do vice-governador da Bahia, João Leão (PP), e deputado federal de primeiro mandato, Cacá Leão recebeu, ao todo, R$ 306.991,83. A principal doadora da campanha do pepista – entre as empresas que ele deve investigar - foi a OAS que, por meio do partido, entregou R$ 200 mil e, por doações intermediadas pelo governador da Bahia, Rui Costa (PT), repassou R$ 4.136,42. Também arrolada no processo, a Andrade Gutierrez contribuiu para a eleição de Cacá – ainda pelo intermédio de Rui - em R$ 100 mil. A UTC foi mais modesta: doou apenas R$ 2.855,41 para ajudar Leão chegar à Câmara dos Deputados.


Deputado de segundo mandato e ex-ministro da presidente Dilma Rousseff, Afonso Florence (PT) recebeu R$ 16.183,46 da OAS e da UTC – todo montante repassado das empreiteiras para o governador Rui Costa, que depositou o dinheiro no caixa de Florence. A OAS, em 26 doações – que vão de pouco mais de R$ 90 a R$ 9 mil – repassou R$ 14.755,76 para o membro da Democracia Socialista – corrente interna do PT que defende o fim do financiamento privado de campanhas eleitorais. A UTC, do baiano Ricardo Pessoa, colocou R$ 1.427,70 na campanha do petista. De família tradicional, o deputado Félix Mendonça Júnior (PDT) recebeu doações da OAS e UTC que somam R$ 12.433,60. Da Odebrecht, empresa citada nas delações, mas ainda fora do radar da Polícia Federal, o pedetista embolsou R$ 9,6 mil. Caso a empresa seja anexada ao processo, a verba recebida por Mendonça de empresas investigadas chegará a R$ 22.043,64. Parente do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), Paulo Magalhães (PSD) colocou R$ 5.498,44 no caixa da sua campanha com origem em empreiteiras citadas na Operação Lava Jato. A OAS aparece, mais uma vez, como maior contribuinte: R$ 2.643, 03, em 25 pequenas doações. A UTC, em três partes, colocou R$ 2.855, 41. João Carlos Bacelar, o do PR, foi o que menos arrecadou com as investigadas. O deputado recebeu R$ 4.493, 66 da UTC e da OAS. As duas repassaram o dinheiro para Rui Costa que, posteriormente, depositou os valores na conta do deputado. A OAS, em 14 doações fracionadas, entregou R$ 1.638,25 para o parlamentar. Da UTC vieram R$ 2.855,41 para a conta que ajudou o republicano a prolongar seu mandato em Brasília por mais quatro anos. Durante a instalação do colegiado, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) chegou a pedir a substituição dos integrantes da CPI que receberam doações de empresas que são alvo da Lava Jato. "Não há como negar o fato de ter recebido financiamento de determinada pessoa jurídica para a sua campanha eleitoral e consequente conquista do mandato eletivo é causa de impedimento para que o parlamentar delibere qualquer matéria que trate diretamente sobre tal empresa", argumentou, segundo o Estadão. A reclamação, no entanto, foi ignorada pelo presidente da comissão, Hugo Motta (PMDB-PB), e os 15 deputados (entre os 27 titulares) que receberam as doações - incluindo os cinco baianos - continuaram como membros da CPI.

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