Bellintani quer envolver classe média no debate sobre qualidade da educação em Salvador
Por Lucas Cunha/ Fernando Duarte
Foto: Jefferson Peixoto | Ag. Haack | Bahia Notícias
Anunciado como novo secretário de Educação, Guilherme Bellintani defendeu nesta terça-feira (30) que o debate sobre a qualidade da educação em Salvador depende do envolvimento da classe média. Segundo o atual titular da Secretaria de Desenvolvimento, Cultura e Turismo, “a classe média não está muito acostumada a discutir a educação a fundo, tem um discurso genérico e pronto sobre qualidade de educação”. “Por que eu falo a classe média? Porque normalmente ela não se sente envolvida com o problema da educação, porque os filhos dela estão no ensino particular. Só que a educação municipal pública não é um problema dos seus filhos, da sua cidade, de desenvolvimento, do futuro. É um problema que uma hora ele toca em você no dia-a-dia, tendo o seu filho da escola pública ou não”, argumentou o futuro gestor da Educação soteropolitana. Para Bellintani, “esse desafio da mobilização social pela escola é talvez o legado mais abstrato que eu queira deixar ao final de dois anos”. Com experiência anterior na área educacional, o secretário disse “estar voltando para casa”. “Minha vida foi toda traçada dentro da educação”, afirmou o gestor, que pretende manter o ritmo de trabalho. “Não vai dar para trabalhar mais do que eu trabalho. Porque senão terei que dormir menos que cinco horas por dia e meus filhos vão perguntar quem é o pai. É impossível (risos)”, brincou.
.jpg)
Bellintani não quer a importação de projetos pedagógicos,
como o Programa Alfa e Beto
Questionado sobre os desafios do novo destino, o secretário preferiu não criticar diretamente seus antecessores. “Eu espero que a gente consiga detectar o que tem de bom para não cair na armadilha de achar que, porque a gente está chegando, tem que implementar tudo novo. É uma sedução do novo poder que eu espero não ser envolvido. Eu tenho consciência plena de que os secretários que estiveram lá, tanto João Carlos [Bacelar] quanto Jorge Khoury, fizeram trabalhos muito positivos e que podem, em grande parte, ser aproveitados”, sugeriu Bellitani. Ele, todavia, atacou uma das atuais vertentes da secretaria, o uso de projetos pedagógicos importados, como o programa Alfa e Beto, implantado ainda na gestão de João Carlos Bacelar à frente da pasta. “Cada vez mais eu tenho segurança de que as cidades que se desenvolveram bem do ponto de vista pedagógico optaram por criar o próprio projeto pedagógico e não importar projetos de prateleira”, defendeu. Além do modelo de projeto pedagógico, Bellintani sugeriu ser importante valorizar as pessoas que compõem a rede pública municipal e a melhoria da estrutura física como pontos relevantes que serão discutidos sob sua tutela.
