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Empresários acusam conselho de rasgar estatuto do Carnaval

Empresários acusam conselho de rasgar estatuto do Carnaval
Windson Silva, dono do bloco Cheiro. Foto: Claudia Cardozo/ Bahia Notícias
O vice-presidente do Conselho do Carnaval de Salvador (Comcar) e proprietário do Bloco Cheiro de Amor, Windson Silva, reclama do resultado da reunião desta segunda-feira (22) que decidiu que o novo regulamento do desfile não pode valer em 2015. “Foi um rolo compressor”, resume. Ele afirma que o encontro foi convocado para discutir sobre “os ajustes da fila”, mas na verdade a discussão foi sobre a suspensão do regimento, que levou 18 meses para ser finalizado após debate interno. “A gente questiona porque não estava na pauta, para as pessoas envolvidas irem lá discutir, e também porque uma coisa que levou tempo não pode ser destruída em meia hora”, explica. A decisão desta segunda (22) beneficiou o recém-criado bloco Vumbora, de Bell Marques, que pelo critério de idade, teria que estar no último lugar da fila, mas com a determinação desfilará no segundo ou terceiro lugar da fila, em fusão com o bloco Pra Ficar. O também novo bloco Largadinho, puxado por Cláudia Leitte, sairá ao lado do Me Ama, puxado por André Lelys, no terceiro ou quarto lugar da fila. Para o bloco Cheiro, a situação ficaria na mesma. Membro da Comissão Especial de Carnaval da Câmara Municipal, o vereador Arnando Lessa considera que a reunião foi uma “manobra” para beneficiar interesses econômicos de produtoras, em desrespeito à legislação da festa. “O conselho foi violentado no seu direito de decidir, com a omissão de alguns e conveniência de outros”, acusa o edil, que estava na reunião por ser ligado à criação do conselho e ter um filho que é dono do bloco Universitário. Ele critica a falta de quórum no encontro para que houvesse a deliberação: apenas 16 dos 34 membros estavam presentes. Três conselheiros voltaram contra, inclusive o representante da Associação dos Blocos e Trios de Salvador, Albry Anunciação. O presidente do Comcar, Pedro Castro, justifica que a decisão foi tomada para atender a reivindicação de entidades que irão desfilar no próximo ano. “Foi para não prejudicar aqueles com contratos assinados em 2015”, disse. Ele afirma que nenhum bloco perdeu com a medida, já que os blocos Vumbora e Largadinho fizeram fusões para conseguir sair na frente. Pedro Castro afirma que Windson Silva está “errado” e que a questão virou “briga pessoal”. “A junção não prejudica o carnaval, pelo contrário”, defende. O presidente do Comcar argumenta que a legislação atual determina que o novo regulamento valeria “a partir de 2015” e não “em 2015”, o que permitiria a vigência apenas em 2016. Lessa contesta: “É uma interpretação conveniente”. O vereador promete acionar a Justiça para revogar a decisão. Para Silva, contudo, as afirmações do presidente mostrariam que Castro não conhece o regimento do conselho. “O mais grave é que o próprio presidente do Comcar tem que conhecer as regras, até porque várias discussões foram feitas na sala dele. Ele diz que a junção não prejudica, mas prejudica sim, porque um bloco que sairia no último lugar está saindo no segundo, terceiro... Os que estão lá atrás perderam”, criticou. “Nos últimos anos, tudo foi sempre burlado. Depois que o MP pediu providência sobre o escândalo dos arrendamentos, o conselho formatou o regulamento. Exatamente para acabar com essa situação do Carnaval”, completou.