Divulgação dos casos de ebola diminuiu contratação de haitianos, diz secretário
Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil
A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Acre constatou nos últimos meses a queda na procura por empresários – especialmente de estados do Sul – de mão de obra haitiana. Há quatro anos, tem ocorrido uma forte imigração de haitianos que entram, geralmente, de forma ilegal no país pelos municípios de Brasileia, fronteira com a Bolívia, e de Assis Brasil, fronteira com o Peru. Ao chegar nos municípios brasileiros, os haitianos têm vistos provisórios emitidos pela Polícia Federal. De acordo com o secretário Nilson Mourão, nos últimos dois meses, apenas uma empresa mostrou interesse em recrutar os estrangeiros. Nos meses anteriores, ocorriam cerca de 100 contratações por semana. Ele acredita que a epidemia de Ebola, em países da África, seja responsável falta de interesse do empresariado. “Nós atribuímos isso ao fenômeno da divulgação ampla, no mundo inteiro, a respeito dos perigos do ebola. Essa deve ter sido a causa principal. De fato, já faz tempo que nenhuma empresa se apresenta para recrutar imigrantes. Nós temos procurado tomar os cuidados devidos, mas não há dúvidas que as informações que circulam diariamente nos meios de comunicação levam as pessoas a ficarem muito cautelosas”, ressaltou Mourão. A pesquisadora Letícia Mamede acredita que os empresários estejam preferindo contratar os imigrantes alojados em São Paulo. Desde abril, o governo acriano está patrocinando a viagem dos haitianos àquele estado. Os haitianos começaram a migrar para o Brasil em dezembro de 2010. De lá para cá, entraram de forma irregular, pelo Acre, mais de 20 mil pessoas. A Casa do Migrante de São Paulo atendeu a 3.231 imigrantes de vários países, entre fevereiro e junho do ano passado. Desse total, 27% eram haitianos.
