No Senado, ex-diretor da Petrobras diz ter prestado serviço a doleiro sem contrato
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Na primeira oitiva com um dos principais envolvidos nas denúncias de corrupção na Petrobras, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a estatal no Senado interrogou nesta terça-feira (10) o ex-diretor de abastecimento da empresa Paulo Roberto da Costa. Um dos investigados pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), ele é suspeito de ter desviado recursos na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, em parceria com o doleiro Alberto Youssef, preso desde março deste ano. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), houve desvios na construção da unidade pernambucana por meio de contratos superfaturados, feitos com empresas que prestaram serviços à Petrobras entre 2009 e 2014. O MPF informou que a obra foi orçada em R$ 2,5 bilhões, mas custou mais de R$ 20 bilhões. “Essa é uma história inventada e fora da realidade. Ela destruiu meu nome e minha reputação, baseada em falsas premissas. Não tive direito de resposta e nem condições de defender porque fiquei 59 dias recluso. Não houve lavagem de dinheiro da Petrobras e não existe contrato superfaturado”, disse Costa, em referência ao período em que ficou detido no presídio da Papuda, em Brasília. Aos parlamentares, o ex-diretor acusou a imprensa por divulgar “dezenas de fatos irreais". "A Petrobas é uma empresa séria e competente. Muita coisa foi dita de forma antiética e sem provas”, afirmou, ao negar ter feito lavagem de dinheiro que, supostamente, foi desviado da estatal. “Colocaram minha figura em posição extremamente delicada e sem fundamentos. Não se joga na lata de lixo meus 35 anos de Petrobras, como fizeram. Prejudicaram minha história e minha família”, acrescentou. Costa admitiu que conheceu Youssef, a quem alegou ter prestado serviço de consultoria sobre a compra da empresa Eco Global – que estaria prestes a assinar contrato com a Petrobras. Como pagamento, o doleiro teria dado, ao ex-funcionário da petrolífera, um veículo Land Rover. “A consultoria foi acertada em 330 mil, mas o Youssef perguntou se poderia pagar com essa Land Rover que custaria R$ 300 mil mais 50 mil da blindagem feita em São Paulo. Como eu estava procurando um carro novo, aceitei. Mas foi para pagar pela consultoria”, contou.
