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Professores dizem que ‘visão mercadológica’ é um dos fatores para 150 demissões de 2013

Por Fernanda Aragão

Professores dizem que ‘visão mercadológica’ é um dos fatores para 150 demissões de 2013
Foto: Reprodução
O número de professores demitidos das maiores escolas particulares de Salvador ultrapassou 150 no ano passado. Um dos docentes é Ana Carvalho, que ensinou durante sete anos no Instituto Social da Bahia (Isba). “A Educação está passando por uma crise. Entre os demitidos estão professores experientes, que tinham relação com os alunos”, diz a profissional, que já atua há 20 anos na área e lecionava Literatura para estudantes do Ensino Médio. Para Ana, a lógica proposta pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tem contribuído para o quadro que ela caracteriza como uma “involução autoral” e uma educação “reducionista”. “Não estou falando especificamente do Isba. Este é um problema geral que precisa ser questionado. O Enem veio de forma reducionista e torna a educação repetitiva”, opina a educadora. Na visão da professora, os profissionais que se afastam das propostas seriam penalizados e a principal justificativa apresentada pelas empresas aos docentes não contempla explicações sobre a escolha por métodos de ensino, mas apenas "adequação salarial".

Ao Bahia Notícias, o Instituto Social afirmou que as demissões ocorridas em 2013 têm relação com o reposicionamento curricular feito pela escola “visando inovação” e com o objetivo de “acompanhar as novas demandas do segmento educacional”. Para tanto, uma das ações adotadas foi a valorização de profissionais que se dedicam exclusivamente à instituição – e o consequente corte de outros – e a adoção de um dos melhores materiais didáticos do país no que diz respeito a conteúdos abordados no Enem. “A mudança tem a ver com a nova proposta de reposicionamento curricular, não com redução de custos, já que o quadro de funcionários da escola não reduziu”, informou o Isba por meio de sua assessoria de imprensa. Ainda de acordo com o instituto, uma das demandas do mercado tem sido a manutenção do “padrão de grande aprovação” nos vestibulares. De acordo com o Sindicato dos Professores do Estado da Bahia (Sinpro-BA), 31 profissionais da categoria foram demitidos do Isba ano passado e outros 15 da Faculdade Social da Bahia, pertencentes à Associação Brasileira de Educação Familiar e Social. O número de demissões segue com os colégios Sartre (24), Marista (16), Módulo (16), Anchieta (15), Antônio Vieira (15), Salesiano (13) e Villas (7). Para Cristina Souto, membro da diretoria do Sinpro-BA, os números expressam uma “visão mercadológica que os donos de escolas têm acerca da Educação”. “Em muitos casos, essas demissões significaram novas contratações por salários mais baixos. Além disso, os dados expressam também uma retaliação política, já que muitos desses professores estiveram presentes nas paralisações e greve do ano passado”, opina Cristina ao se referir às manifestações por rejuste salarial ocorridas em julho de 2013.