Pasadena: Com Gabrielli, deputados dizem que pedido de CPI traduz ‘desespero’ da oposição
Por Carol Prado
Foto: Brizza Cavalcante/Ag. Câmara
Membros da bancada federal do PT baiano se reuniram nesta segunda-feira (31) em um restaurante de Salvador para prestar apoio e “solidariedade” ao secretário de Planejamento do Estado, José Sergio Gabrielli. O atual auxiliar do governador Jaques Wagner (PT) presidia a Petrobras na época da aquisição da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), negócio investigado por suspeita de superfaturamento, que teria custado cerca de US$ 1,2 bilhão à estatal. Afonso Florence, Amauri Teixeira, Josias Gomes, Luiz Alberto, Nelson Pelegrino, Valmir Assunção e Zezéu Ribeiro, todos da Câmara dos Deputados, encorparam aplausos, logo após o discurso em que o gestor defendeu a compra da unidade norte-americana, se ilibou de supostas operações ilícitas, mas admitiu ter “medo” do que pode vir pela frente – uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) já requerida no Senado, da qual é um dos principais alvos. Na visão geral dos legisladores petistas, o pedido de investigação sobre o assunto traduz o “desespero” da oposição, desfavorecida em pesquisas de intenção de voto referentes à eleição presidencial. “O caso Pasadena é uma situação política. A oposição não tem um cenário conveniente para o pleito e quer reverter isso. Criou-se uma miragem”, analisou Teixeira, em entrevista ao Bahia Notícias. Segundo ele, a compra de Pasadena foi um “bom negócio” no cenário de 2006, ano da primeira transação com o grupo Astra Oil. “Naquele momento, era importante estrategicamente para a Petrobras a compra de uma unidade de refino no principal mercado consumidor de combustível do mundo. Houve uma crise mundial e uma retração internacional. Mas hoje Pasadena está dando lucro e acredito que, no curto prazo, vamos recuperar o capital investido”, argumentou.

Ao lado do ex-presidente da Petrobras, deputados caracterizaram compra de Pasadena por US$ 1,2 bilhão como um "bom negócio" (Foto: Reprodução)
Após a repercussão negativa das informações sobre a aquisição da refinaria, duas pessoas ligadas à elaboração do contrato que motivou o investimento foram demitidas da petrolífera: o ex-diretor financeiro da subsidiária BR Distribuidora, Nestor Cerveró, e o ex-diretor comercial da Transportadora Associada de Gás (TAG), José Orlando Azevedo, primo de Gabrielli. A própria presidente Dilma Rousseff (PT), ex-líder do conselho da empresa, chegou a admitir que a transação foi realizada com base em um “relatório técnica e juridicamente falho”. Mesmo assim, a avaliação positiva sobre o negócio é defendida por Pelegrino, ex-candidato à prefeitura da capital baiana, para o qual a compra da unidade é “revestida de seriedade e espírito público”. “Não tenho nenhuma dúvida de que Gabrielli e a direção da Petrobras agiram com base em dois fundamentos: a honestidade e a consciência sobre o que era melhor para a empresa”, afirmou, antes de também alfinetar as legendas contrárias: “A oposição está sendo irresponsável com o maior patrimônio do Brasil, que é a Petrobras. Em uma atitude desesperada, estão pensando pouco no país e muito nos interesses eleitorais”.

Presidente do PT na Bahia diz que partido vai cobrar "fidelidade" dos senadores da base aliada que assinaram requerimento de CPI (Foto: José Marques/Bahia Notícias)
Também presente no evento, o presidente estadual do PT, Everaldo Anunciação, confirmou que o partido tem se articulado para evitar – aos 45 minutos do segundo tempo – a criação da CPI da Petrobras no Senado. A sigla, de acordo com ele, espera a retirada das assinaturas dos três parlamentares da base aliada que declararam apoio ao projeto de comissão (Sérgio Petecão, do PSD, Eduardo Amorim, PSC, e Clésio Andrade, PMDB). “O PT vai cobrar coerência. A legenda tem sido fiel e generosa com seus aliados, tanto nas presenças de governo quanto nas coligações eleitorais. Esperamos também fidelidade, mas sem botar a faca no pescoço de ninguém”, amenizou. Vinte e oito senadores registraram seus nomes no requerimento da CPI, um a mais do que a quantidade mínima necessária para a criação. Os parlamentares, no entanto, têm até a 0h do dia da leitura do documento em plenário para desistir da assinatura.
