Com 31 perfis biográficos, coleção Gente da Bahia só homenageou duas mulheres
Por Marília Moreira
Com a missão de lançar perfis biográficos de baianos ilustres, a Coleção Gente da Bahia, editada pela Assembleia Legislativa do Estado (AL-BA), apenas homenageou duas mulheres em todas as 31 edições já publicadas. As selecionadas foram “A Mulher de Roxo”, figura folclórica que caminhava pelo centro de Salvador na década de 60, e “Maria Bonita”, companheira de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e primeira mulher a participar de um grupo de cangaceiros. Confrontado com o número de perfis de mulheres lançados pela coleção, Marcelo Nilo, presidente da AL-BA e idealizador do selo, disse que “não lembraria de cabeça”. O desprestígio numérico das mulheres na coletânea não é encarado com surpresa pela deputada estadual Luiza Maia (PT), integrante da Comissão de Direitos da Mulher na Casa. “A coisa não é normal, no sentido de que não há problema, mas a cultura machista faz com que a gente se lembre sempre dos homens. Eu não estava com esse dado em mãos, mas é interessante nos questionarmos sobre isso. Vou até fazer algumas indicações ao presidente”, adiantou. Questionada sobre quais figuras ela citaria de imediato, a parlamentar hesitou. “Estou na fila do mercado, não está me ocorrendo nenhum nome agora, mas eu vou me debruçar um pouco mais sobre essa questão”, esquivou-se.
