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Em máfia do ISS, secretário de Neto teria isentado faculdades em troca de bolsas para filhos em SP

Por Carol Prado

Em máfia do ISS, secretário de Neto teria isentado faculdades em troca de bolsas para filhos em SP
Foto: Reprodução/Agecom
Apontado como um dos envolvidos no esquema que ficou conhecido como "Máfia do ISS" em São Paulo, o atual secretário da Fazenda de Salvador, Mauro Ricardo, é acusado de conceder isenção do Imposto Sobre Serviços às faculdades onde estavam matriculados seus dois filhos, em troca de bolsas de estudos, na época em que liderava a pasta de Finanças da gestão de Gilberto Kassab (PSD). A denúncia foi feita por uma testemunha, identificada apenas como “Gama”, que depôs sobre o caso ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) em dezembro de 2013. Obtido pelo Bahia Notícias, o relato também apontou o gestor como destinatário de propina paga pela Bolsa de Valores de São Paulo pela redução da tributação. De acordo com o documento, Ricardo determinou ao ex-chefe da Receita municipal, Ronilson Bezerra, que fosse concedida “imunidade” às instituições de ensino, não nomeadas pelo declarante. O auditor fiscal teria tomado conhecimento, posteriormente, de que os herdeiros do secretário haviam conseguido gratuidade nos cursos dos quais eram alunos e chegou a planejar usar o assunto contra o então dirigente das Finanças. Bezerra, segundo Gama, mantinha relação estremecida com Ricardo, principalmente porque o ex-dirigente da Fazenda costumava representar Kassab em eventos oficiais, o que irritava o rival. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o atual integrante da administração de ACM Neto em Salvador negou as alegações, ao argumentar que as faculdades já gozavam de isenção há anos e que sempre pagou as mensalidades dos filhos nas instituições Mackenzie e ESPM, ambas situadas na capital paulista. Procurados, os estabelecimentos confirmaram a versão e informaram que os alunos quitavam as parcelas integralmente. 
 

O chefe da Fazenda de São Paulo, Ronilson Bezerra, mantinha relação estremecida com Mauro Ricardo (Foto: Reprodução)
 
Gama conta ainda que o gestor decretou o aborto da fiscalização financeira a uma empresa de propriedade do sogro do, na época, assessor econômico da secretaria, Marcelo Rabioglio. Após a solicitação, uma reunião entre Ricardo, Bezerra e um representante da companhia beneficiada teria sido realizada com o objetivo de “resolver a questão”. Em determinado momento, o atual auxiliar de Neto teria pedido que o então chefe da Fazenda saísse da sala para que fossem acertados os últimos detalhes da negociação – ou o valor da suposta propina. 
 

Boatos sobre o esquema do ISS corriam "livremente e a todo vapor" na Secretaria de Finanças de SP (Foto: Divulgação)
 
Por fim, a testemunha afirma que o ex-titular das Finanças era “extremamente inteligente e tinha conhecimento de todas as ilegalidades praticadas” por Bezerra, mencionado como líder da quadrilha que cobrou quantias de diversas empresas para reduzir o ISS e, assim, promoveu um rombo estimado em mais de R$ 500 milhões na prefeitura de São Paulo. Os boatos sobre o esquema de corrupção, na visão de Gama, circulavam “livremente e a todo vapor” na secretaria. Ricardo teria chegado a receber quatro cartas de denúncia contra o auditor fiscal. Dessas, apenas uma gerou um processo formal, que acabou arquivado. As demais teriam sido ignoradas sem qualquer procedimento de registro.