PV conversa com ‘todo mundo’, mas sonho era ACM Neto governador; PT não fez convite para aliança
Por Sandro Freitas
Fotos: Max Haack / Ag. Haack / Bahia Notícias
O Partido Verde em Salvador não abre mão do que chama de “parceria” com o prefeito ACM Neto (DEM), mas no campo estadual – de olho nas eleições para governador – o caminho ainda não foi encontrado. A legenda conversa com “todo mundo”, o que não inclui o PT, pelo fato de não ter sido convidado, segundo o secretário municipal da Cidade Sustentável e ex-presidente da legenda na Bahia, Ivanilson Gomes. Em entrevista ao Bahia Notícias, o verdista revelou que o sonho era que ACM Neto fosse candidato a governador. “Não vai acontecer. Seria ideal pelo que ele vem fazendo em um ano em Salvador. Se fizesse o mesmo no estado, a Bahia ia ganhar muito. Mas é uma decisão dele, do partido dele. A maioria dos baianos queria ver ele governador”, opinou Ivanilson, que lembrou outro motivo para o desejo da sigla: “O PV ficaria com a prefeitura de Salvador”, no caso com a vice Célia Sacramento. Apesar dos elogios ao prefeito, se engana quem pensa que a aliança com a trinca DEM, PMDB e PSDB é automática por causa da tal “parceria”. “Não necessariamente, até porque nosso compromisso – do PV – seria do prefeito [candidato] para o governo. Isso seria muito natural. Como ele declarou, e de fato não vai acontecer [ACM Neto concorrer ao governo em 2014], e ele nunca nos colocou uma posição ou imposição sobre o candidato, estamos conversando, como acho que todos os partidos estão fazendo. Todo mundo conversando com todo mundo, até apontar o caminho”, explicou. O presidente nacional do PV e deputado federal pelo Rio de Janeiro, José Luiz Penna, vem a Salvador ainda este mês conversar com ACM Neto sobre alianças na Bahia, a pedido do democrata, já que foi o responsável pela costura PV-DEM em 2012. Só depois o apoio dos verdes será dado a alguém. Em abril, Ivanilson Gomes deixará a pasta da Cidade Sustentável para ser o principal candidato a deputado federal da legenda na Bahia, que não tem nenhuma representante do estado no Congresso.

Entre os namoros que o PV tem mantido, existe um com a senadora Lídice da Mata, candidata pelo PSB ao Palácio de Ondina, que tem, pelo menos, um voto garantido: o de Célia Sacramento, que se prontificou a colocar o número 40 na urna. O presidente estadual do PV e prefeito de Lícinio de Almeida, Alan Lacerda, já teve e terá outras conversas com a socialista, mas o apoio não está garantido. Sobre o apoio de Célia a Lídice, Ivanilson não vê problema, mas acredita que a vice-prefeita vai votar em quem o PV indicar. “Eu entendo isso como uma posição de Célia, que é extremamente partidária e vai seguir a orientação do partido. Mas claro que empolga Célia saber que uma mulher se coloca como candidata. Ela sempre foi muito defensora das mulheres ocuparem a política”, pontuou. O PV baiano já conversou também com o peemedebista Geddel Vieira Lima, o tucano João Gualberto, e os democratas Paulo Souto e José Carlos Aleluia, citados pelo secretário como “aqueles que se colocaram como possíveis candidatos”. Entre os nomes, Souto é o único que não se coloca publicamente na corrida, mas internamente a vontade do ex-governador parece que tem crescido. Em relação ao PV, nada definido até agora. Só horas de conversa e, como se diz no jargão da política, nada de casamento. Entre as conversas com “todo mundo”, a única ressalva é o PT, que para existir o primeiro diálogo, dependeria de uma avaliação interna, segundo Ivanilson. Trata-se de um retrato de que na política nunca se sabe o amanhã, já que um dia o PV baiano foi conhecido como partido melancia: verde por fora, mas vermelho por dentro.
