Vice-prefeita defende cotas para parlamentares negros e diz que 'patente' da feijoada não foi paga
Por José Marques
Foto: Júlia Belas / Bahia Notícias
Para a vice-prefeita de Salvador, Célia Sacramento (PV), a necessidade de reparação dos negros é uma questão que vai desde a aprovação das cotas para parlamentares pretos e pardos no Legislativo até o pagamento de patentes da feijoada. “Quantas coisas nós, povo negro, criamos, o povo usa e a gente não ganha um centavo?”, questionou, ao ser perguntada pelo Bahia Notícias sobre a Proposta de Emenda à Constituição das Cadeiras Negras, do deputado federal Luiz Alberto (PT), que reserva assentos no Congresso e assembleias legislativas aos afrodescendentes. A proposta, aprovada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, é de que os eleitores votariam duas vezes, uma na eleição normal e outra para os parlamentares negros, com número de vagas definido em base percentual de pessoas que tenham se declarado negras ou pardas no último censo do IBGE. “A feijoada, por exemplo”, continuou a vice-gestora. “É o rabo do boi que ninguém queria, a orelha do porco, o toicinho que ninguém queria para não ficar gordo. A gente salgou e transformou na feijoada. A feijoada é a comida nacional. Algum restaurante que usa o produto paga? Ou seja, a gente cria, inventa e nunca tem reparação”. Para Célia, “uma pessoa que não tem entendimento sobre um tema não pode defendê-lo” e, por isso, é necessária a cota parlamentar no país. “Por exemplo: como os homens vão entender o problema das mulheres se eles não são mulheres? Por mais solidária que a pessoa seja, ela não entende”, avaliou. Ela também diz que “não há corporativismo” entre os movimentos negros como há em outras entidades e nas profissões. “Imagine, vocês são repórteres. Um de vocês comete um erro e o corporativismo não permite que um condene o outro. Você pode até dizer ao outro: ‘Como você fez isso, véi?’, mas para mim você vai dizer: ‘Não foi nada, professora’. Você vai defender até o fim. A comunidade negra não é assim. Não é corporativista”, considerou. De acordo com a verde, se houvesse esse tipo de prática, ela não teria sido questionada por entidades do movimento ao se aliar ao prefeito ACM Neto (DEM).
