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Gilmar suspeita que paralisação na Câmara é medo de manchete ruim ou pressão em ACM Neto

Por Sandro Freitas

Gilmar suspeita que paralisação na Câmara é medo de manchete ruim ou pressão em ACM Neto
Foto: Valdomiro Lopes / Divulgação
Em mais um dia de sessão sem votação de projetos na Câmara Municipal de Salvador, o que aconteceu pela última vez em 23 de outubro, sobraram teses do motivo que tem levado os integrantes da Casa a derrubar sessões sem analisar as matérias, mesmo com consentimento dos líderes para que as pautas sejam apreciadas. Nesta terça-feira (25), foi acordo que seriam analisados e mantidos os dois vetos do prefeito ACM Neto (DEM) aos projetos da vereadora Tia Eron (PRB) e o requerimento de Everaldo Augusto (PCdoB), convidando o secretário da Fazenda de Salvador, Mauro Ricardo, a dar explicações sobre a máfia do ISS de São Paulo. O esquema de propina paulistano foi justamente a pauta do dia, com debates acalorados, e até acusações de que vereadores estariam querendo ir a cidade para “fazer compras na Rua 25 de março”. Mas, entre as teses levantadas para a baixa produtividade na Câmara, o líder da oposição Gilmar Santigo (PT), elencou duas novas possibilidades. Em entrevista ao Bahia Notícias, o petista afirmou suspeitar que “existe algo mais” travando a pauta da Casa. Uma delas seria o temor da bancada governista, que já teria acordado votar e derrubar o requerimento, mas estaria preocupado com manchetes negativas no dia seguinte. “A oposição colocou eles [governistas] em uma cilada. Os líderes amarraram que votariam e o governo seria contra [o requerimento]. Isso é votar contra o desejo da sociedade por esclarecimentos. É um incomodo”, argumentou Gilmar. A outra tese defendida por ele é de que para votarem projetos do Executivo, que já estão em consenso com a oposição pela aprovação [Sistema Municipal de Cultura, planos de saúde dos servidores, Plano Plurianual e Lei de Diretrizes Orçamentárias], os aliados do prefeito estariam pedindo “algo mais”. “Existe uma cultura da bancada de governo de pressionar o Executivo. Quando tem que votar projetos do Executivo, surgem pedidos por demandas específicas”, pontuou o líder da oposição, citando como exemplo obras em bases eleitorais de vereadores. 
 

Foto: Bahia Notícias
 
Gilmar ainda acusou ACM Neto de ter “sucumbido” a uma prática quer seria do ex-prefeito João Henrique (PSL), a de “transformar a prefeitura em um balcão de pedidos”. O X da questão pode ser a emenda participativa, dando a prerrogativa para cada vereador de indicar como o prefeito deve gastar R$ 1 milhão do Orçamento. No entanto, como elas não são impositivas – a gestão não é obrigada a gastar o dinheiro – surge à tese de que foi criada uma pressão para que as emendas fossem realmente aplicadas. Em conversa com o BN, o vice-líder de governo, Léo Prates (DEM), rechaçou as suspeitas de Gilmar Santiago e apontou que existe apenas uma falta de consenso entre os vereadores. “O líder sugere a bancada, não obriga que seja feito de determinada forma”, afirmou. Segundo ele, os 22 líderes partidários trabalham para chegar a um entendimento para destravar a pauta da Câmara e analisar os projetos, o que pode acontecer só na próxima semana. Sempre irônico, Prates ainda rebateu a acusação de uma suposta volta do “balcão de pedidos” no Palácio Thommé de Souza. “Gilmar sabe mais do que eu sobre as articulações políticas do prefeito. Vou até dar a vice-liderança [da bancada de governo] para ele”, brincou.