Argentina também investiga morte do ex-presidente Jango
A juíza argentina Mabel Borda afirmou que a exumação nesta semana dos restos mortais do ex-presidente brasileiro João Goulart, em um procedimento que procura determinar se ele foi envenenado como parte da Operação Condor, pode ter uma implicação na Argentina. No ano passado, Borda e um grupo de investigadores visitaram o hotel fazenda no qual Goulart morreu no exílio, segundo as autoridades argentinas por um ataque cardíaco. Segundo a juíza disse em entrevista a agência EFE, apesar da investigação ser de maneira conjunta e "em cooperação", cada país "trata a causa" independentemente. Os restos mortais de Goulart foram recebidos na quinta-feira em Brasília pela presidente Dilma Rousseff com as honras fúnebres reservadas para um chefe de Estado e que foram negadas na época pelos militares que o derrubaram em 1964. O líder esquerdista conhecido popularmente como "Jango" é até agora o único ex-presidente brasileiro morto no exílio e era o único que, segundo a Presidência, não foi homenageado na época de seu falecimento com "o ritual concedido a todos os chefes da Nação". Um ex-membro do serviço secreto uruguaio, preso no Brasil por narcotráfico, assegurou há cinco anos que Goulart foi envenenado por agentes de vários países no marco da Operação Condor.