Máfia do ISS: Esquema começou com PT e investigação acabou na era Haddad, diz Léo Prates
Por Sandro Freitas
Foto: Bahia Notícias
Após uma semana sem sessões na Câmara de Salvador, com acusações de que os governistas tentaram abafar os debates sobre a máfia do ISS em São Paulo (ver aqui e aqui), o retorno dos trabalhos na Casa foi quente. Como esperado, o tema predominante foi a investigação sobre o pagamento de propina aos servidores da prefeitura paulistana para redução de impostos. Em conversa com o Bahia Notícias, o líder do DEM e vice-líder do governo, Léo Prates, traçou uma cronologia do caso e alertou os petistas que a máfia do ISS teria começado em 2002 com o IPTU, conforme reportagem do Fantástico. “Em 2002, quem era prefeita? Marta Suplicy [atual ministra da Cultura e petistas]”, disse. Durante pronunciamento em plenário, o democrata elencou datas relativas ao caso, com a primeira denúncia anônima enviada em 29 de outubro de 2012 ao ex-prefeito de SP, Gilberto Kassab (PSD), e o secretário da Fazenda de Salvador, então titular da pasta de Finanças da capital paulista, Mauro Ricardo, que rebateu novamente as denúncias nesta segunda-feira (11). A oposição acusa o secretário de mandar arquivar a denúncia, mas Léo Prates rebate. “Em 19 de dezembro, Mauro Ricardo mandou exonerar o então sub-secretário da Receita, Ronilson Bezerra [acusado de liderar a máfia do ISS]. No dia 29 de dezembro, Mauro Ricardo sugere à Ouvidoria o arquivamento por falta de provas, pois tinha que dar resolutividade após a investigação e não tinha conseguido, pois a secretaria não é órgão de investigação. Já em 2 de janeiro, Ronilson é nomeado pelo atual prefeito Fernando Haddad (PT) para ser diretor financeiro da SPTrans e 25 dias depois o controlador-geral do Município, Marcos Vinicius Spinelli, manda exonerar Ronilson”, detalhou o vereador. Em documento enviado ao BN, ele também ressalta que o arquivamento de investigação foi feito por Spinelli, funcionário indicado por Haddad.
O líder do DEM ainda trouxe outro fato publicado pela revista Veja. “Me chama a atenção que a SPTrans é um órgão da Secretaria de Transportes de São Paulo, cujo secretário é Jilmar Tatto, ex-líder do PT na Câmara, que é responsável direto pela nomeação de Ronilson. E descobre-se nesta semana que a mulher de Jilmar Tatto é sócia de um dos auditores envolvidos no esquema”, pontuou. Questionado se foi indicado pela prefeitura para rebater as acusações e defender Mauro Ricardo, Prates negou, mas relatou que, como líder do Democratas e vice-líder do governo, se sentiu imputado a responder politicamente por “acreditar no projeto de ACM Neto”. “Querem politizar o que não é política. Quero mostrar ao PT da Bahia que esse tipo de politização é ruim para eles. Tem muito mais gente ligada ao PT [no esquema] do que ao próprio Kassab, que é aliado deles. Não quero culpar ninguém, mas mostro que quem joga pedra para cima também cai na cabeça.”, finalizou.
