‘Momento inoportuno’; Ex-presidente da Petrobras diz que leilão de Libra foi feito antes do tempo
Por Sandro Freitas
Foto: Agência Petrobras de Notícias
Vencido por um consórcio formado por cinco empresas – Petrobras, Shell, Total, CNPC e CNOOC – o leilão do Campo de Libra, na bacia de Santos, poderia ter rendido mais para o governo federal. A avaliação é do ex-presidente da estatal e pré-candidato a governador da Bahia, José Sérgio Gabrielli (PT). Em entrevista ao programa O Sistema é Bruto, da Rádio 100 (100,7 FM), o petista avaliou que a concorrência foi feita antes do tempo. “O leilão poderia ter outro resultado? Poderia. Eu acredito que o leilão poderia ter um resultado melhor para o governo, de longo prazo, se fosse feito em outras circunstâncias. No ano que vem e com um bônus de entrada menor. Poderia ter mais competição e, portanto, o pagamento da prestação para o governo poderia ser maior. Minha opinião foi sempre de que o leilão era inoportuno nesse momento, mas já que foi realizado, o resultado foi bom para a Petrobras e para o governo”, explicou Gabrielli. A avaliação também foi feita por outros economistas, que criticaram o fato de o consórcio vencedor ter de pagar R$ 15 bilhões no ato da assinatura. A expectativa inicial do governo era de que 40 grupos iriam participar do pregão, mas apenas um apresentou proposta e venceu, fato que gerou críticas da oposição. Outro posicionamento contrário de economistas foi quanto ao modelo da partilha, com a Petrobras obrigatoriamente com 30% de participação da operação do campo e taxa mínima de 41,65% do lucro do óleo excedente extraído a ser destinado à União. Apesar de ter discordado do tempo, o ex-presidente da Petrobras garantiu que concorda com a presidente Dilma Rousseff no modelo de partilha utilizado. “Sou plenamente favorável ao regime atual, à partilha de produção como mecanismo de controle do novo marco regulatório do pré-sal e ao papel da Petrobras de operadora única com 30%. Concordo inteiramente com o modelo que está aí. O que nós temos de diferença é se a oportunidade de fazer o leilão de Libra era agora ou em outro momento, apenas essa diferença. Quem está criticando o modelo é que quer voltar para o modelo de concessão”, afirmou.
